terça-feira, 3 de outubro de 2017

Panorama dos resíduos sólidos no Brasil em 2016.

 A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe divulgou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016. Os resultados foram obtidos com a soma das projeções de cada região do país, e além dos resíduos sólidos urbanos – RSU, também analisa a geração e destinação dos resíduos de saúde – RSS, construções e demolições – RCD e os previstos nos acordos de logística reversa. Este é o primeiro artigo de uma série com base nestas informações.

Com relação aos RSU, em 2016 foram produzidas 78,3 milhões de toneladas com queda de 2% em comparação ao panorama de 2015. A coleta atingiu 91% dos resíduos gerados com 71,3 milhões de toneladas recolhidas, enquanto 7 milhões de toneladas não foram recolhidas, ficando absolutamente sem nenhum tipo de tratamento e dispersas nos ambientes. A disposição final dos RSU em aterros sanitários adequados piorou em relação ao índice anterior e caiu de 58,7% para 58,4% ou seja, 41,7 milhões de toneladas do total recolhido. As restantes 29,6 milhões de toneladas correspondentes a 41,6%, foram dispostas inadequadamente em lixões ou aterros controlados por 3.331 municípios do país.

Os recursos financeiros aplicados pelos municípios brasileiros em 2016 para a gestão dos RSU foi de R$ 9,92 mensais com queda de 0,7%. A geração de postos de trabalho diretos no setor de limpeza pública retraiu 5,7% com perda de 17.700 vagas. Considerando o mercado global da limpeza no Brasil, em 2016 foram movimentados 27,3 bilhões, com queda de 0,6% comparado ao panorama anterior.

A geração diária de RSU em 2016 foi de 214.405 toneladas com 1,040 Kg/habitante/dia. No ano anterior de 2015 foram 218.874 toneladas/dia e 1,071 kg/habitante/dia, representando em 2016 uma queda de 2,9% na produção individual diária de resíduos.

Ano
Toneladas/Dia
Kg/habitante/dia
2015
218.874
1,071
2016
214.405 (-2%)
1,040 (-2,9%)
Tabela 1 – Geração diária total e individual de RSU no Brasil em 2016.
Fonte – Abrelpe.

A Abrelpe informa que em relação com a cobertura da coleta houve um pequeno avanço, sendo que a Região Sudeste apresenta o maior percentual de coleta e representa 52,7% do total de RSU gerados, enquanto a Região norte participa com 6,4% do total e a Região Nordeste tem o menor percentual de coleta com 79%.

Região
Participação no total de RSU
Coleta
Per capita (Kg/hab/dia)
Norte
6,4%
81%
0,87
Nordeste
22%
79%
0,97
Centro Oeste
8,2%
94%
1,09
Sudeste
52,7%
98%
1,21
Sul
10,7%
95%
0,75
Brasil
100%
91%
1,04
Tabela 2 – Participação no total de RSU, percentual de coleta e geração per capita nas regiões.
Fonte – Abrelpe.

Quanto à coleta seletiva, 3.878 municípios apresentam iniciativas, mas na quase totalidade destes não há programas que garantam a universalidade e a eficiência dos projetos, sendo atividades parciais e limitadas que ainda estão sendo implantadas e que dispõe de recursos limitados. A Região Sul é a que apresenta o maior índice de municípios com iniciativas de coleta seletiva com 89,8% tendo ações neste sentido.
 
Região
Municípios com iniciativas de coleta seletiva dos RSU
Norte
58,4%
Nordeste
49,6%
Centro Oeste
43,3%
Sudeste
87,2%
Sul
89,8%
Brasil
69,9%
Tabela 3 – Municípios com iniciativas de coleta seletiva em 2016.
Fonte – Abrelpe.

A queda da produção de RSU em 2016 não está relacionada com uma melhor gestão ou com atitudes conscientes e positivas dos consumidores. A Abrelpe reconhece que a crise econômica foi o principal fator destes resultados, com uma diminuição do consumo em todas as regiões, a piora dos índices e o aumento de resíduos não recolhidos, destinados para lixões e aterros controlados. Os investimentos dos municípios neste setor também foram afetados pela crise econômica e permaneceram insuficientes, agravando em muitas situações os problemas ambientais e sociais relacionados com a gestão e disposição inadequada dos RSU.

Antonio Silvio Hendges – Articulista no EcoDebate, professor de biologia e educação ambiental, pós-graduação em auditorias ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental. Email: as.hendges@gmail.com – Blog: www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/10/2017
"Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/10/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/10/03/panorama-dos-residuos-solidos-no-brasil-em-2016-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.
O conteúdo da revista EcoDebate e do blog do Cenatec pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário