sexta-feira, 13 de março de 2015

Contabilização do capital natural e a preservação do meio ambiente

Capital Natural pode ser entendido como o provedor de bens e serviços que garantem a manutenção e a qualidade de vida da sociedade. É o estoque de ecossistemas que rende um fluxo de serviços valiosos ou produtos para o futuro. A ideia que os recursos naturais e o processamento de materiais e as funções que eles representam são valiosos e este valor pode ser quantificado é uma ideia que cresceu em força e popularidade nos últimos 10 ou 20 anos.
O capital pode surgir de várias formas. Seja ele intangível, como a propriedade intelectual e ideias, ou tangíveis como indústrias, maquinaria e os produtos que ali são produzidos sob formas de capital manufaturado. Cultura, educação, habilidades e cerimônias são exemplos de capital humano.
Com as atividades econômicas interferindo negativamente nos sistemas naturais, é nossa responsabilidade como profissionais de sustentabilidade, proteger os recursos naturais. Planejadores urbanos, economistas, políticos e outros entendem a necessidade de colocar um valor em um recurso natural, da mesma forma que colocamos um valor para um par de tênis ou um serviço qualquer, por exemplo.
Estamos em uma era de grande crescimento populacional e os recursos naturais que suportam nossas sociedades são os fatores limitantes. Ao reconhecer e quantificar os recursos naturais como capital nos permite mudar a forma que nós colocamos valor não apenas nos recursos naturais, mas em outras formas de capital também.
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
A definição de capital natural encara o sistema todo como um estoque. Ele continua a ser valioso apenas quando o ecossistema permanece intacto e suas funções preservadas. Você não pode acabar com partes separadas dos ecossistemas e esperar que o valor que sobra seria o valor do todo menos das partes degradadas. O valor seria diminuído além do valor daquela parte modificada porque os sistemas naturais, no intuito de fornecer seu valor, necessita manter sua estrutura e diversidade que permite seu funcionamento como um sistema para que possa fornecer um fluxo de valores.
É claro que existem recursos no ecossistema que são mais valiosos que outros. Por exemplo, o estoque de capital natural que fazem parte de um ecossistema maior como o carvão, água limpa ou até mesmo diamantes, parecem ser mais valiosos do que os estoques que abrangem todo o ecossistema como florestas e áreas alagadas, mas ambos são exemplos de capital natural dependendo do seu ponto de vista.
Questões filosóficas importantes surgem no processo de dar valor para recursos naturais ou capital natural. A economia neoclássica sugere que devemos dar valor apenas para os recursos que conseguem fornecer valor individualmente. Mas contabilizar para todo o ecossistema como capital natural faz com que tenhamos que contabilizar os benefícios para humanos e outras espécies. Estes cálculos abrange uma variedade de variáveis no processo de acumular valor às pessoas.
Em outras palavras, é muito difícil conectar diretamente o valor de cada elemento do ecossistema natural ao benefício humano. Então, contabilizar o capital natural envolve contabilizar as complexidades nos valores de uso direto e indireto para justificar o valor do ecossistema.
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
Um rio, por exemplo, pode ter seu valor direto pelo serviço que ele proporciona. Porém, a qualidade de suas águas depende de diversos fatores, como matas ciliares e fauna que ajudam a limpar e manter em equilíbrio as cargas de nutriente no sistema. Estes possuem valores indiretos.
A chave para o valor de um capital natural são os serviços que o ecossistema oferece. Serviços ecossistêmicos são comumente definidos como o fluxo de benefícios de um ecossistema que se origina dos processos que fazem com que esse ecossistema funcione.
A contabilização de serviços ecossistêmicos é uma das formas que cientistas e economistas compreendem e comunicam o valor de um sistema natural intacto. Vamos usar como exemplo os ecossistemas costeiros que podem ser identificados por nomes, como praias, áreas alagadiças, recifes de corais, mangues, dunas, estuários, lagoas e muitos outros.
Nós sabemos que 20% da superfície terrestre são formadas de zonas costeiras e que neles estão situados mais de 45% da população global, incluindo 75% das grandes cidades do mundo. Os ativos em capital natural nas zonas costeiras vêm sofrendo significativamente nas últimas três décadas. Cerca de 50% dos pântanos foram perdidos ou degradados, 35% dos mangues e 30% dos corais devido aos impactos de causa naturais e antrópicas como a invasão do ambiente construído, erosão do solo, aumento do nível do mar e por aí vai.
A degradação desses ecossistemas mostrou ter um custo significante para as comunidades que vivem perto e longe dessas áreas, além das espécies que vivem por lá. Este fato faz com eles sejam grandes exemplos de capital natural. Quando esses ecossistemas param de funcionar, e em alguns caso de existir, eles param de fornecer alguns serviços muito óbvios, e outros não tão óbvios assim. Isto implica em uma das realidades mais trágicas com relação aos serviços ecossistêmicos.
Manifestação contra a degradação de recursos costeiros (Foto: Reprodução)
Manifestação contra a degradação de recursos costeiros (Foto: Reprodução)
A civilização humana não compreende que benefícios esses ecossistemas fornecem, até que eles não existam mais.
E quando os recursos naturais param de fornecer funções vitais, as pessoas acabam tendo que pensar em soluções artificiais para substituir estas funções. Porém, é provado que a produção destes substitutos acaba sendo insuficientes, do ponto de vista funcional, e caros, do ponto de vista econômico, às alternativas naturais.
No caso dos ecossistemas costeiros mencionados anteriormente, alguns dos serviços perdidos são bastante numerosos. Os exemplos incluem a criação de praias, dunas e estuários, contaminação, retenção e armazenamento de sedimentos, exportação de biomassa, manutenção de berçário de peixes, regulação de fluxo e qualidade de águas, sequestro de carbono, lazer e outros, assim como herança cultural.
Então, como que as pessoas começam a contabilizar, dar valor ao capital natural?
Muitos praticantes de sustentabilidade usam modelos em seus planejamentos. Os modelos permitem que os praticantes criem um esqueleto abstrato de um cenário para começar a contabilizar, para todos os ecossistemas como fontes de vasto capital natural, o qual poderá ser atribuído um valor em moeda. Estes modelos reúnem grandes números de dados e usam de poderosas ferramentas de simulação para elaborar diversas políticas públicas, regulamentos e cenários de planejamento para a conservação e gerenciamento dos recursos naturais.
Estas ferramentas permitem que cientistas, desenvolvedores, economistas e outros, comparem diferentes fatores como os serviços ecossistêmicos, gerenciamento de recursos naturais, impactos de novas infraestruturas no ambiente construído, dentre outras, nas suas decisões.
Saiba mais:
Publicação original - http://blog.elementalsolucoes.com.br/2015/03/09/contabilizacao-capital-natural-e-sua-importancia-na-preservacao-meio-ambiente/

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