Nosso objetivo é contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento que considere as dimensões humanas, ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas. A sustentabilidade é resultado de ações concretas e eficientes, desenvolvidas através de parcerias amplas e que considerem as dimensões e os interesses comuns de todas as partes interessadas, possibilitando a construção de ações orgânicas, sinérgicas e eficazes, indispensáveis ao presente e futuro sustentável.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Acordos setoriais para logística reversa - embalagens e lâmpadas

lâmpadas
O Ministério do Meio Ambiente – MMA publicou no Diário Oficial de 08 de setembro de 2014, página 52, as Portarias nº 326 e 327 que abrem as consultas públicas para a elaboração dos acordos setoriais para a implantação de sistemas de logística reversa de embalagens em geral – Portaria 326/2014 e para lâmpadas fluorescentes e de vapor de sódio e mercúrio – Portaria 327/2014. Estes acordos setoriais estão previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS e fazem parte da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos entre os fabricantes ou importadores, distribuidores, comerciantes, serviços públicos de limpeza urbana e consumidores (Lei 12.305/2010, artigos 33-36).

A PNRS prevê que estão sujeitos aos acordos setoriais as embalagens de papel e papelão, plástico, aço, alumínio, vidros e embalagens cartonadas longa vida. No caso das lâmpadas, todas as que contenham mercúrio, sódio ou mistas devem ter destino final ambientalmente adequado. A elaboração e procedimentos destes acordos setoriais já tinham sido definidos pelo Comitê Orientador Para a Implantação de Sistemas de Logística Reversa (Decreto 7.404/2010, artigos 33 e 34), na Deliberação nº 01 de 21 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União em 23/05/2012.
As sugestões e colaborações devem ser fundamentadas, identificadas e encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente através de formulários eletrônicos disponíveis no endereçohttp://www.governoeletronico.gov.br no período de 00 hora de 15/09/2014 às 23 horas e 59 minutos de 15/10/2014.
As portarias 326 e 327 são acessadas na íntegra no endereço:http://pautasressem.blogspot.com.br/2014/09/portaria-mma-que-abrem-consultas-sobre.html

Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria em sustentabilidade e educação ambiental –www.centaecbrasil.blogspot.com.br

domingo, 7 de setembro de 2014

A educação ambiental e a gestão de RH na gestão ambiental

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O tema meio ambiente entrou definitivamente na pauta de discussão da nossa sociedade. É verdade que os meios de comunicação, a produção literária - científica e pedagógica, as iniciativas públicas e privadas, as ONG's e as pessoas de uma forma em geral, pressionados pela anunciada catástrofe ambiental a que estamos submetendo o planeta através de práticas danosas cometidas por todos nós, indivíduos e coletividade, ou seja, você e eu, também colaboram para que o assunto tenha tamanha repercussão. Seja através de discussões técnicas e científicas ou de posturas ideológicas e apaixonadas pela causa, o fato é que a temática ambiental vai, pouco a pouco, sendo inserida e incorporada pela nossa sociedade como um divisor de água na busca de uma melhor qualidade de vida.
Pesquisas realizadas com diferentes públicos - professores universitários e de ensino fundamental, alunos universitários e empregados de grandes empresas brasileiras revelam que a maioria dos entrevistados considera meio ambiente importante. A maioria também se interessa pelo tema e considera que a qualidade ambiental é fundamental para a sobrevivência – nossa e do planeta, concluindo ser possível conciliar meio ambiente com desenvolvimento.
Embora seja lugar comum dizer que a abordagem ambiental deva ser holística e que devemos pensar globalmente e agir localmente, o que percebemos muitas vezes é uma práxis que reforça o ambientalmente incorreto dito popular que diz que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Apesar dos avanços, a gestão ambiental continua, ainda hoje, centrada, na maioria das vezes, na aquisição de equipamentos de controle ambiental, não levando em consideração aspectos importantes relacionados à cultura das pessoas.
De fato a degradação ambiental põe em risco a saúde do planeta e de seus habitantes. As medidas mitigadoras colocadas em práticas não resolvem de todo a questão, apenas – como o próprio nome anuncia, atenuam um quadro ascendente de problemas socioambientais.
As práticas de controle ambiental são recentes e ainda não foram totalmente incorporadas pelas empresas, seja pelo seu alto custo ou pela falta de conscientização. Existe toda uma cultura que precisa ser estimulada para uma nova concepção na relação do homem com o meio ambiente. Percebe-se que pouco adiantarão tecnologias de controle ambiental de última geração se as pessoas não refletirem sobre o seu comportamento no que se refere ao consumo e ao uso insustentável dos recursos naturais.
Este cenário coloca à mesa uma discussão que passa pela revisão de conceitos e será necessário que cada indivíduo compreenda a importância de estar comprometido com a qualidade ambiental da sua cidade, do seu bairro, da sua casa e do seu posto de trabalho. Parafraseando o imperador romano, não basta apenas estarmos comprometidos, temos que demonstrar este comprometimento colocando em prática os princípios básicos de sustentabilidade.
No entanto, existe uma cultura arraigada em pressupostos que acredita de fato que em casa de ferreiro o espeto é de pau, quando na verdade deveria ser estimulada a refletir e perceber que em casa de ferreiro na maioria das vezes o que temos é sucata de sobra e que cada um de nós é na verdade um ferreiro a produzir diariamente uma quantidade enorme de sucatas.
As pessoas de um modo em geral não percebem que a degradação ambiental é resultado do modelo que escolhemos para sobreviver, não reconhecendo nas suas relações com o meio os impactos produzidos por este modelo. De fato é pouco usual a conjugação do verbo poluir na 1a pessoa. Quando o sujeito não é indefinido (alguém polui), se encontra na 3a pessoa do plural: eles poluem.
Ações de controle ambiental são fundamentais na busca de uma melhor qualidade de vida, pensar globalmente e agir localmente também. No entanto, atuamos muitas vezes desconsiderando fatores fundamentais relacionados à cultura das pessoas e das instituições que as abrigam.
Nem sempre estabelecemos afinidades com o público alvo de nossas ações ambientais. Informamos ao invés de nos comunicar. De uma hora para outra meio ambiente passa a ser uma coisa importante e todos devem zelar por ele. No entanto, pode ocorrer das pessoas sequer saberem o que é meio ambiente e neste caso, incorremos no velho modus operandi de controle ambiental no final da linha, quando na verdade deveríamos estar atuando na causa e não somente na conseqüência. A formação de uma consciência crítica em relação a este processo é fundamental para a busca de soluções que não sejam somente mitigadoras, passando a ter um caráter mais preventivo e educativo.
No entanto, para que uma gestão ambiental seja bem sucedida é necessário que ocorram mudanças nas atitudes, nos padrões de comportamento e na própria cultura das instituições.
Para alcançar o compromisso das pessoas com a melhoria da qualidade ambiental é preciso, em primeiro lugar, que elas se percebam como parte integrante deste processo, tendo acesso a conhecimentos básicos sobre meio ambiente que as auxiliem na identificação das principais fontes geradoras de impactos ambientais.
Ao motivar e capacitar as pessoas para a adoção de ações preventivas a Educação Ambiental tem-se revelado um importante instrumento da Gestão Ambiental, permitindo que as pessoas conheçam, compreendam e participem das atividades de gestão ambiental, assumindo postura pró-ativa em relação à problemática ambiental.
Dentro da perspectiva de otimizar seus investimentos e de se manter dentro dos padrões ambientais exigidos pela sociedade e pelo mercado, algumas empresas estão implantando programas de Educação Ambiental como instrumentos do seu Sistema de Gestão Ambiental.
Para que as empresas obtenham o compromisso dos empregados com a gestão ambiental é necessário que ela disponibilize, além de recursos e equipamentos de controle ambiental, conhecimentos básicos sobre meio ambiente e gestão ambiental, auxiliando-os na identificação e controle das principais fontes geradoras de impactos ambientais da sua atividade.
Neste sentido, para que a educação ambiental se transforme em um instrumento eficiente da gestão ambiental é necessário que as atividades propostas estejam sintonizadas com a cultura da empresa e potencializem os aspectos positivos desta cultura.
Concebidos desta forma, esses programas permitem às empresas alcançar bons resultados, pois incentivam os empregados a agir de forma preventiva, identificando, controlando e minimizando os impactos ambientais da sua atividade.
 José Lindomar Alves Lima é Prof. do Curso de Educação Ambiental para Gestores do Meio Ambiente do NIEAD/UFRJ
Publicação original: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/gestao/artigos/a_educacao_ambiental_e_a_gestao_dos_recursos_humanos_na_gestao_ambiental.html

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Impactos visíveis dos resíduos sólidos

lixo
Em relação aos gases provenientes da disposição do lixo, o metano é o componente mais problemático devido a sua elevada concentração (em torno de 300.000 vezes maior que a encontrada na atmosfera) exigindo técnicas sanitárias e ambientais apropriadas de controle. A concentração de metano superior a 5% é explosiva. O metano é o segundo elemento causador do efeito-estufa na atmosfera.
O uso de incineração produz fuligem e gases. Esta fumaça provoca muitos problemas alérgicos na população, principalmente entre as crianças. Em termos ambientais a queima do lixo destrói todas as propriedades coloidais e outras que são benéficas ao condicionamento dos resíduos nos solos. A queima de plásticos e isopor emite gases que poluem a atmosfera causando doenças e contribuindo para o efeito estufa. A falta de coleta pública leva as populações também a enterrarem o lixo.
O lixo é também o ambiente perfeito para a proliferação de doenças. Quando disposto no solo sem nenhum tratamento, o lixo atrai dois grandes grupos de seres vivos: os macro-vetores e os micro-vetores. Fazem parte do grupo dos macro-vetores as moscas, baratas, ratos, porcos, cachorros, urubus. O grupo dos micro-vetores como as bactérias, os fungos e vírus são considerados de grande importância epidemiológica por serem patogênicos isto é, causadores de doenças e nocivos ao homem.
Estes vetores são causadores de uma série de moléstias como diarreias infecciosas, amebíase, febre tifóide, malária, febre amarela, cólera, tifo, leptospirose, males respiratórios, infecções e alergias, encontrando no lixo um dos grandes responsáveis pela sua disseminação.
A leishmaniose, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das doenças infecciosas mais perigosas, vê a sua transmissão favorecida pelo acúmulo de lixo nos terrenos baldios e lixões que são locais extremamente favoráveis à reprodução e desenvolvimento do mosquito transmissor.
Outra enfermidade bastante conhecida dos brasileiros é a dengue. Transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, a doença pode levar à morte. As larvas reproduzem-se principalmente em pneus velhos, vasos de plantas, garrafas e outros locais onde a água da chuva fica acumulada. O sistema de coleta de lixo deve ser visto como uma medida preventiva, pois impede o acúmulo desses tipos de materiais próximos a população.
Uma das principais conclusões assumidas a nível internacional é a recomendação de se investir em uma mudança de mentalidade e valores, sensibilizando as populações para a necessidade de se utilizar novos pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas referentes à degradação ambiental.
Resolver o problema dos resíduos sólidos pode significar muito menor demanda por serviços de saúde. A OMS estima que para cada dólar investido no saneamento básico, do qual a gestão de resíduos sólidos é um dos principais itens, mas não o único, podem ser economizados 4 dólares na gestão dos serviços de saúde.
A proposta de trabalho em gestão de resíduos sólidos de qualquer natureza em geral, envolve as seguintes fases de desenvolvimento (NAIME, 2005):
1) Elaboração de diagnóstico detalhado de pontos de geração de resíduos na organização; neste momento é bom definir os critérios de segregação. Somente devem ser segregados resíduos cujo VOLUME, PREÇO e TECNOLOGIA DE RECICLAGEM OU REUTILIZAÇÃO, justifiquem plenamente esta medida. Não adianta mandar separar algum resíduo de geração pequena, ou de preço não compensador, ou que ainda não disponha de tecnologia para reutilização ou reciclagem. Neste caso programas caem em descrédito junto aos colaboradores e não há sensibilização, treinamento ou repressão capazes de alterar esta realidade.
2) Elaboração de estudo descritivo individual de cada resíduo gerado, descrevendo composição, quantidades geradas, possibilidades de reutilização ou reciclagem tecnológicas e viabilidade econômica;
3) Definição dos materiais que devem sofrer coleta seletiva por setor e dos materiais que não são viáveis em quantidade, tecnologia ou preço para serem submetidos a este processo e devem ser remetidos a aterros sanitários industriais ou não;
4) Definição das formas de armazenamento setoriais e do transporte e acondicionamento internos e armazenamento temporário em local inacessível a colaboradores inabilitados e protegido de intempéries;
5) Elaboração de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) por setor da organização;
6) Montagem de estrutura capaz de administrar e emitir Manifestos de Transportes de Resíduos (MTRs) e/ou notas fiscais de venda ou doação conforme o caso e realização de beneficiamento sobre resíduos que serão remetidos para reutilização, reciclagem ou destinação final;
7) Elaboração de pesquisa sobre o nível de conhecimento e percepção ambiental dos colaboradores da fábrica para planejamento de programa de treinamento permanente para gestão de resíduos sólidos;
O gerenciamento integrado dos resíduos sólidos deve objetivar a máxima redução na produção, o máximo de reaproveitamento e reciclagem para produzir inserção social, geração de emprego e renda e economia de matérias primas naturais, água e energia, com a disposição final mais adequada possível para otimizar a preservação ambiental, dentro de um contexto de universalidade e qualidade dos serviços.
Isto implica no envolvimento formal de todos os atores sociais envolvidos: associações de bairro, cooperativas de catadores, empresas, poder público, concessionários e demais partes interessadas.
A gestão integrada dos resíduos sólidos passa por uma concertação social que implica num alto índice de governança, atitude que supera governos legalmente constituídos, transcende a mandatos e supera restrições.
Materiais recicláveis como papel, metal, plásticos e vidros tem que ser reciclados e reaproveitados. Para isto é obrigatória a implantação de programas de coleta seletiva. Esta é a dimensão que gera economia de matérias-primas, água e energia e gera inclusão social, com produção de ocupação e renda a segmentos mais necessitados. Tudo isto deve ser projetado objetivando obter sustentabilidade nas dimensões econômica, social e ambiental.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
EcoDebate, 04/09/2014