terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ecoturismo, educação ambiental e cidadania.


Nas atividades de ecoturismo, que também podem ser consideradas econegócios, a educação ambiental precisa estar bem definida e utilizar metodologias múltiplas adequadas aos diversos ramos e realidades culturais, sociais, econômicas, sociológicas em que estão estabelecidos os projetos. Pela definição da Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo e do Ministério do Meio Ambiente “Ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações.” 

Na maioria das circunstâncias os próprios projetos de ecoturismo são considerados atividades de educação ambiental, mas para isso precisam adequação em suas características e treinamento integrado dos colaboradores e voluntários em suas diversas atividades. A conservação e a preservação locais buscam ampliar a dimensão dos visitantes para a importância da mesma atitude em relação a outros locais, protegidos ou não.

O cálculo correto da capacidade de carga é fundamental para a eficiência dos projetos e programas de educação ambiental, facilitando o planejamento, o desenvolvimento das atividades e metodologias, a comunicação, a escolha e o uso adequado dos meios e ferramentas utilizadas. Existem vários métodos de cálculo da capacidade em diferentes circunstâncias e de acordo com as características dos empreendimentos. É fundamental os educadores e agentes em educação ambiental conhecerem a metodologia utilizada e adequarem os programas aos limites, conceitos e condicionantes estabelecidos na implantação das atividades de ecoturismo.



Cálculo básico da capacidade de carga em empreendimentos de ecoturismo:

STUT = Superfície Total Utilizada pelos Turistas;
AM = Área Média Utilizada pelos turistas.
Capacidade de carga = STUT/AM
NHAD = Número de Horas Aberto Diariamente;
TMV = Tempo Média das Visitas.
Coeficiente de Rotação = NHAD/TMV
Total de Visitas Diárias = Capacidade de Carga X Coeficiente de Rotação
Exemplo:
STUT = 100 hectares; AM= 2 hectares; STUT/AM = 100/2 = 50
NHAD = 10 horas; TMV = 5 horas; NHAD/TMV = 10/5 = 2
Total de Visitas Diárias = 50 x 2 = 100

A formação de bancos de imagens através de levantamento fotográfico e de vídeos é um auxiliar importante da educação ambiental nas atividades de ecoturismo, seja na divulgação ou na orientação, motivação e capacitação dos visitantes. A formação adequada dos guias e orientadores para destacarem aspectos socioambientais, econômicos, educativos e históricos específicos dos locais é importante, considerando que muitos visitantes não têm a familiaridade suficiente para perceberem espontaneamente estas especificidades. 

As informações aos visitantes são comunicadas em locais específicos ou no ambiente natural, ou em ambos a depender dos recursos, objetivos, público, condições climáticas e disponibilidade de espaço, entre outros fatores. A sinalização das trilhas e dos locais com orientações a respeito da população local, dos limites, dos cuidados com plantas e animais, preservação do patrimônio natural e histórico, do lixo, dos perigos, são ações educativas fundamentais nos projetos de ecoturismo socialmente, ambientalmente, e economicamente integrados às comunidades e com responsabilidade pela formação cidadã presente e das gerações futuras.


Antonio Silvio Hendges,
Professor de Biologia, Pós Graduado em Auditorias Ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental, articulista na imprensa ambientalista brasileira, Diretor do Cenatec e editor deste blog.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Projetos de Educação Ambiental.

Um projeto de educação ambiental surge da necessidade de solucionar um ou vários problemas em uma rua, condomínio, bairro, cidade, empresa, escola, comunidade escolar, instituição pública, área rural, público específico ou em qualquer situação ou local em que seja indispensável à transição de uma realidade não desejável para outra com base na responsabilidade socioambiental coletiva.

Também pode surgir da visão antecipada de que são necessárias ferramentas pedagógicas para evitarem-se atitudes, ações e práticas futuras que possam transformar a situação atual em outra não conforme com os interesses comunitários, consolidando ou ampliando a consciência coletiva, destacando os aspectos positivos dos temas abordados.

Uma terceira possibilidade é a construção a partir dos sonhos individuais e coletivos de transformações ambientais, culturais e sociais positivas no meio ambiente socialmente construído, seja buscando-se a preservação de áreas nativas, transformando-se os terrenos baldios em hortas comunitárias, praticando-se a agricultura urbana, ou colaborando com os catadores de materiais recicláveis/reutilizáveis é possível sempre fazer muito mais para melhorar o presente e construir o futuro. E lembre-se, procure outros sonhadores para construir seu projeto, pois como disse o Raul Seixas: “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Os projetos de educação ambiental precisam sempre estar inseridos nos contextos em que serão aplicados e jamais serem construídos de forma autônoma às realidades em que se pretende atuar, ou seja, para se construir um projeto de educação ambiental é fundamental realizarem-se pesquisas, conhecer os motivos, as realidades, as representações sociais individuais e coletivas dos diferentes atores e públicos que serão participantes das ações.

Importante destacar que não existem resultados imediatos e que um projeto de educação ambiental não é uma atividade comemorativa ou de fim de semana, mas um processo planejado para efetuar uma mudança ou a consolidação de hábitos, competências, atitudes e habilidades voltadas à qualidade de vida a partir da valorização dos aspectos ambientais em que se encontram inseridos os indivíduos e a coletividade.

Um projeto precisa responder seis questões básicas: 1) Quem (identificação, descrição, recursos humanos); 2) O quê (apresentação, objetivos); 3) Porque (justificativa); 4) Como (público alvo, metodologias, critérios de avaliação), 5) Quando (cronograma); 6) Quanto (recursos materiais necessários, orçamento); Se o projeto responder claramente estas questões, possivelmente esteja aplicável às circunstâncias para as quais foi elaborado. Importante destacar que as respostas virão da estrutura do projeto e não de uma ordem estritamente estabelecida das questões e suas respostas. Não é um questionário, é um projeto.

1 – IDENTIFICAÇÃO

Entidade – Empresa, associação, escola, comunidade, etc.
Endereço – Rua, bairro, cidade, localidade, etc.
Se necessário acrescente um breve parágrafo de apresentação das atividades e razões pelas quais a instituição ou grupo atuam.

2 – APRESENTAÇÃO

Descreva de forma breve e concisa o projeto, os organizadores, apoiadores, parcerias e outros detalhes que personalizem e definam as características próprias do projeto.
O modelo apresentado pode ser adequado de acordo com as características de cada projeto, sendo os conteúdos e detalhes proporcionais à dimensão pretendida.

3 – JUSTIFICATIVA

Justifique o motivo do projeto, descreva porque é indispensável a sua realização. Um projeto de Educação Ambiental precisa estar claramente definido em seus públicos, objetivos, recursos, ações, cronogramas e responsáveis.
Não é um conjunto de “boas intenções”, vontades e ideias descontextualizadas das realidades, aspectos e impactos com os quais se pretende interagir.

4 – PÚBLICO

Defina os beneficiários, qual o segmento social, econômico, produtivo, comunitário com os quais se pretende trabalhar.

5 – OBJETIVOS

5.1 – Objetivos Específicos*
– Defina um ou dois objetivos específicos, aquilo que realmente se pretende realizar com o projeto.
*Importante: não coloque os objetivos gerais antes dos específicos, defina objetivamente, particularize, especifique com a máxima exatidão possível suas razões para realizar o projeto. Colocar os objetivos gerais antes dos específicos faz com que o projeto perca o foco.
5.2 – Objetivos Gerais
– Defina alguns objetivos gerais, adjacentes e complementares aos específicos. Não devem ser muitos para que não perder o foco das ações, devem potencializar a realização do(s) objetivo(s) específico(s).

6 – RECURSOS MATERIAIS

Defina os recursos materiais e financeiros necessários à execução dos objetivos do projeto.
Item
Origem
Uso no projeto
Valor
Projetor
Propriedade ou empréstimo
Projeção de slides e vídeos
R$ 0,00
Cartilhas e folders
Impressão gráfica
Conteúdos básicos e informações
R$ 200,00
Cadernos e canetas
Aquisição
Anotações e rascunhos
R$ 200,00
Outros
Aquisição
Usos diversos
R$ 100,00
Total


R$ 500,00


7 – CRONOGRAMA

Defina o cronograma de ações, as atividades que serão realizadas e o espaço de tempo no qual se pretende realizá-las.
Ações
Março
Abril
Maio
Junho

Elaborar o projeto
X




Visitas à comunidade

X



Mobilização, cursos e palestras

X
X
X

Seminário integrado



X

Avaliação e revisão



X


8 – RECURSOS HUMANOS

Defina os recursos humanos e responsáveis pela execução do projeto e suas responsabilidades dentro do cronograma estabelecido.
Nome
Atividade
Descrição
Aaaaaa Aaaaaaa
Coordenação geral
Coordenar a elaboração e execução.
Bbbbb Bbbbbbb
Pesquisas de campo
Elaborar e aplicar pesquisas relacionadas
Cccccc Ccccccccc
Ddddd Dddddd
Palestras e oficinas
Elaboração e transmissão das informações e conhecimentos previamente selecionados.
Eeeee Eeeeeee
Comunicação e divulgação
Divulgar as ações e resultados.
Fffffff Fffffffffff
Ggggg Ggggggg
Recursos materiais
Reunir os recursos materiais e logísticos.


9 – METODOLOGIA

Estabelecer metodologias interativas e dialógicas que facilitem a comunicação entre o(s) grupo(s) envolvido(s), aproximando os diversos atores presentes ou adjacentes aos objetivos que se pretende atingir.
Exemplos de metodologias são palestras, oficinas, exposição dialogada, projeção de slides, uso de cartilhas, vídeos, exposição teatralizada, shows, pesquisas na internet, pesquisas em literatura especializada, etc.

10 – INDICADORES DE AVALIAÇÃO

– Estabeleça indicadores e critérios que permitam avaliar e corrigir o projeto, se necessário;
– Indicadores são parâmetros utilizados para medição e/ou avaliação, aferição da situação anterior para a estabelecida nos objetivos, permitem quantificar os processos e projetos;
-Devem ser de fácil entendimento, representativos e testáveis;
– Servem para controlar, prever, estimar, auxiliar na tomada de decisões, identificar problemas, fornecer dados para revisões e avaliar os melhoramentos conseguidos;
- Podem ser qualitativos ou quantitativos.

12 – AVALIAÇÃO E REVISÃO

Avalie o projeto de acordo com os indicadores e/ou critérios estabelecidos e se necessário, revise os aspectos e detalhes necessários.

Antonio Silvio Hendges, Professor de Biologia e Educação Ambiental, pós-graduado em auditorias ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental, Diretor do Cenatec e editor deste blog.

in EcoDebate, 12/01/2017

"Projetos de Educação Ambiental, artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/01/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/01/12/projetos-de-educacao-ambiental-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Em 2017, faça você mesm@: mude o mundo!

O Cenatec e o Projeto Escolas Sustentáveis agradecem aos parceiros, apoiadores, colaboradores, participantes dos cursos, palestras, seminários, fóruns, leitores do blog, amigos e conexões em nossa rede de contatos físicos e nas redes sociais pelo apoio e divulgação da educação ambiental em 2016.

Boas festas e feliz ano novo para tod@s!

Em 2017, faça você mesm@: mude o mundo! 

Cenatec - Centro de Assessoria em Resíduos Sólidos e Educação Ambiental.

Escolas Sustentáveis - O futuro está presente!