Nosso objetivo é contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento que considere as dimensões humanas, ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas. A sustentabilidade é resultado de ações concretas e eficientes, desenvolvidas através de parcerias amplas e que considerem as dimensões e os interesses comuns de todas as partes interessadas, possibilitando a construção de ações orgânicas, sinérgicas e eficazes, indispensáveis ao presente e futuro sustentável.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Quatro formas de evitar o greenwashing do seu produto eco-friendly

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Em um mercado onde mais consumidores se preocupam em comprar produtos ambientalmente corretos e de empresas direcionadas por um propósito, principalmente em decorrência de maiores preocupações ambientais, ser acusado de greenwashing pode manchar permanentemente a reputação do seu negócio.

Greenwashing é a pratica de criar comunicações de marketing falsas ou enganosas, a fim de promover um produto como sendo mais eco-friendly do que ele realmente é.
 Infelizmente na hora de promover um produto sustentável e ecologicamente correto, é muito fácil acabar “escorregando” para o território do greenwashing. Não interessa o quão bem-intencionadas sejam suas alegações, a comunicação da sustentabilidade é um desafio, e dar um passo em falso pode custar a imagem da sua marca.
Aqui estão quatro maneiras de evitar o "greenwashing" e ter um impacto ambiental positivo:

Não Foque em Ser Verde

Se o principal foco de seus esforços de marketing é no quanto "verde" ou "eco friendly" seu produto é, talvez seja a hora de dar um passo atrás e reavaliar a forma como sua marca está sendo apresentada. Focar no quanto "verde" seus produtos são pode ser perigoso por duas razões principais:
  • Em primeiro lugar, é muito difícil provar cientificamente alegações abrangentes como “ser verde” ou “eco-friendly”.
  • Em segundo lugar, e o mais importante, atualmente ser ambientalmente correto é apenas o preço que se paga para seu um player no mercado. Claro, as pessoas gostam do fato da sua marca ser sustentável, mas querem mesmo é saber o que seu produto pode fazer por elas.
Tentar se posicionar como a marca mais verde é o que faz com que muitas marcas acabem sendo acusados de propaganda falsa. Continue sendo sustentável, mas foque a sua estratégia de comunicação de marketing em outro lugar.

Olhe Para a Sua Embalagem

Outro problema comum que muitas vezes leva a acusações de greenwashing é a maneira que os produtos de uma empresa são embalados e enviados. Não importa o quanto eco-friendly um produto é se ele chega na casa dos consumidores em uma caixa de transporte cheia de amendoim de isopor. Enquanto a maioria dos consumidores compreenderá a sua necessidade de enviar seus produtos por transporte aéreo ou terrestre, e, por isso, a necessidade de empacotá-los de maneira que evite danos, o exagero na embalagem ou no uso de materiais não recicláveis pode ser imperdoável. Nesse caso o público começará a questionar sua motivação ambiental.

Evite Fazer Declarações Eco-Friendly que Você Não Pode Comprovar

Outra armadilha difícil de evitar do greenwashing é fazer afirmações sobre alguma coisa que você sabe, ou pelo menos acredita saber sobre o seu produto mas não pode provar com um estudo científico. Toda vez que sua marca faz uma afirmação eco-friendly sem uma prova irrefutável, sua empresa corre o risco de ser confrontada pelos consumidores e, potencialmente, multada pelo governo.
Isso pode ser particularmente frustrante para empresas que trabalham duro para criar ou manter a sua reputação como ambientalmente corretas. Estudos científicos levam tempo e muitas vezes são muito caros para serem produzidos, e para uma marca pequena ou startup, este tempo e custo podem ser inviáveis. Você pode até ter certeza que sua marca possui benefícios ambientais, mas sem um estudo científico você legalmente ou moralmente não pode compartilhar essa mensagem com os seus consumidores.

Não Esconda as Deficiências Ambientais da Sua Marca

Sua marca faz quase tudo de uma forma ambientalmente sustentável, mas obviamente que podem haver áreas onde seus esforços eco-friendly ficam aquém do ideal. Não há nenhum problema nisso, desde que você não tente esconder do público. Uma empresa ou marca só consegue esconder suas “falhas” por algum tempo, e quando a verdade vem à tona, seja na forma de um blog, notícia de jornal ou nota de imprensa da concorrência, os seus clientes vão ficar se perguntando o que mais que você pode estar tentando esconder.
Seja sempre o mais transparente e honesto possível com seus consumidores. Se você ainda está fazendo esforços para tornar partes do seu negócio sustentável, compartilhe esses esforços com todos as partes interessadas da sua empresa através das redes sociais, blogs, posts e conteúdos educativos, tais como e-books, infográficos e estudos de caso. Não só eles vão aceitar suas deficiências, como também vão aplaudir seus esforços e muitas vezes querer aprender cada vez mais.

E sua empresa, como tem evitado as armadilhas do greenwashing? Já usa os canais digitais para vencer os desafios da comunicação da sustentabilidade? Compartilhe suas suas soluções no campo de comentários abaixo.
Autora - Michelle Braga
Publicação original - http://www.greenin.com.br/blog/4-formas-de-evitar-o-greenwashing-do-seu-produto-eco-friendly

sexta-feira, 20 de março de 2015

Os avanços e a consolidação da legislação brasileira sobre resíduos sólidos

A partir do ano de 2010 a legislação brasileira sobre os resíduos sólidos avançou significativamente, principalmente a partir da aprovação da Lei 12.305 de 02 de agosto de 2010 que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, seus princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão integrada, o gerenciamento adequado, as responsabilidades dos geradores e poderes públicos. O Decreto 7.404 de 23 de dezembro de 2010 regulamentou a PNRS, criou o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa. Também em 2010, o Decreto 7.405 de 23 de dezembro, instituiu o Programa Pró-Catador com a finalidade de integrar e articular as ações voltadas ao apoio à organização produtiva, a inclusão social e econômica dos trabalhadores com materiais recicláveis e/ou reutilizáveis, a expansão da coleta seletiva, da reciclagem e da reutilização, estabelecendo um Comitê Interministerial para a promoção e desenvolvimento destas ações.
Um dispositivo legal importante e anterior à Lei 12.305/2010 – PNRS é a Lei 9.974/2000, regulamentada pelo Decreto 4.074/2002, sobre a logística reversa das embalagens de agrotóxicos, que estabeleceu a responsabilidade compartilhada e a logística reversa das embalagens e dos restos destes produtos, realizada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – Impev, através do Programa Campo Limpo que recolhe e destina adequadamente aproximadamente 95% destes resíduos, tornando o Brasil referência mundial neste segmento com melhores índices que a França em 2º lugar – 77% e o Canadá em 3º – 73%.
A construção civil também possui legislação específica através da Resolução 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão destes resíduos, atualizada pela Resolução 448/2012 do Conama que alterou diversos artigos da resolução anterior, adequando-a as diretrizes da PNRS. A Resolução nº 416/2009 do Ministério do Meio Ambiente também é anterior à PNRS e dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental causada por pneus e sua destinação ambientalmente adequada.
A partir da Lei 12.305/2010 e do Decreto 7.404/2010, foram realizadas diversas adequações legais através de resoluções, deliberações, termos de referência, editais e assinaturas de acordos para tornar viáveis os dispositivos da legislação. A obrigação de todos os entes federativos – Estados e municípios – estabelecerem suas próprias legislações e planos específicos também é um avanço significativo, embora aproximadamente a metade dos municípios ainda não tenham se adequado e em grande parte dos outros existam problemas de gestão, sendo muitos planos de resíduos municipais pró forma, desvinculados de ações concretas e efetivas para a consolidação de uma gestão eficaz, integrada e compartilhada.
Diversos Editais de Chamamento de Propostas de Acordos Setoriais para a responsabilidade compartilhada pós consumo foram lançados pelo Ministério do Meio Ambiente – MMA a partir de 2011 – embalagens plásticas de óleos lubrificantes, lâmpadas, embalagens em geral, eletroeletrônicos e medicamentos. Dois já foram assinados – Embalagens Plásticas de Óleos Lubrificantes, assinado em 19/12/2012 e publicado no Diário Oficial em 07/03/2013 e Lâmpadas de Vapor de Sódio e Mercúrio e de Luz Mista, assinado em 27/11/2014 e publicado no Diário Oficial em 12/03/2015. Os outros editais receberam diversas propostas, sendo que o de embalagens em geral recebeu quatro propostas, sendo três consideradas válidas que foram unificadas e já passaram por consulta pública estando em análise final. O edital sobre Produtos Eletroeletrônicos e seus Componentes recebeu dez propostas e sobre Descarte de Medicamentos foram três, sendo que estes dois acordos ainda estão em negociação para a próxima etapa de consulta pública. Estas informações estão acessíveis no endereçohttp://sinir.gov.br/web/guest/logistica-reversa.
As responsabilidades legais são extensíveis a todos os entes federativos que devem consolidar suas próprias legislações com base na legislação federal e implantarem sistemas de gestão e gerenciamento adequados, repassando estas informações ao Sistema Nacional de Informações Sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos – SINIR que também receberá as informações das indústrias através do Sistema Declaratório Anual de Resíduos Sólidos. O Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos é outro instrumento direcionado às pessoas jurídicas que operam com resíduos perigosos em qualquer fase do seu gerenciamento. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA é o responsável pela coordenação deste cadastro e a sua integração com o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais e ao SINIR.
Portanto, a legislação brasileira sobre os resíduos sólidos já está em uma fase avançada de consolidação, com diretrizes, princípios, objetivos e instrumentos bem definidos, alguns acordos setoriais assinados e outros em análise e diversos cadastros técnicos que possibilitam o controle, caracterização, localização e levantamento dos inventários e ações necessárias. As administrações dos municípios que ainda não se adequaram através da elaboração dos seus planos de resíduos ou que ainda tenham lixões são passíveis de responsabilização pelo Ministério Público e estão impedidas de receberem recursos federais destinados aos serviços de limpeza urbana.
Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria e consultoria em sustentabilidade e educação ambiental –www.cenatecbrasil.blogspot.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 19/03/2015
"Os avanços e a consolidação da legislação brasileira sobre resíduos sólidos, artigo de Antonio Silvio Hendges," in Portal EcoDebate, 19/03/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/03/19/os-avancos-e-a-consolidacao-da-legislacao-brasileira-sobre-residuos-solidos-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Contabilização do capital natural e a preservação do meio ambiente

Capital Natural pode ser entendido como o provedor de bens e serviços que garantem a manutenção e a qualidade de vida da sociedade. É o estoque de ecossistemas que rende um fluxo de serviços valiosos ou produtos para o futuro. A ideia que os recursos naturais e o processamento de materiais e as funções que eles representam são valiosos e este valor pode ser quantificado é uma ideia que cresceu em força e popularidade nos últimos 10 ou 20 anos.
O capital pode surgir de várias formas. Seja ele intangível, como a propriedade intelectual e ideias, ou tangíveis como indústrias, maquinaria e os produtos que ali são produzidos sob formas de capital manufaturado. Cultura, educação, habilidades e cerimônias são exemplos de capital humano.
Com as atividades econômicas interferindo negativamente nos sistemas naturais, é nossa responsabilidade como profissionais de sustentabilidade, proteger os recursos naturais. Planejadores urbanos, economistas, políticos e outros entendem a necessidade de colocar um valor em um recurso natural, da mesma forma que colocamos um valor para um par de tênis ou um serviço qualquer, por exemplo.
Estamos em uma era de grande crescimento populacional e os recursos naturais que suportam nossas sociedades são os fatores limitantes. Ao reconhecer e quantificar os recursos naturais como capital nos permite mudar a forma que nós colocamos valor não apenas nos recursos naturais, mas em outras formas de capital também.
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
A definição de capital natural encara o sistema todo como um estoque. Ele continua a ser valioso apenas quando o ecossistema permanece intacto e suas funções preservadas. Você não pode acabar com partes separadas dos ecossistemas e esperar que o valor que sobra seria o valor do todo menos das partes degradadas. O valor seria diminuído além do valor daquela parte modificada porque os sistemas naturais, no intuito de fornecer seu valor, necessita manter sua estrutura e diversidade que permite seu funcionamento como um sistema para que possa fornecer um fluxo de valores.
É claro que existem recursos no ecossistema que são mais valiosos que outros. Por exemplo, o estoque de capital natural que fazem parte de um ecossistema maior como o carvão, água limpa ou até mesmo diamantes, parecem ser mais valiosos do que os estoques que abrangem todo o ecossistema como florestas e áreas alagadas, mas ambos são exemplos de capital natural dependendo do seu ponto de vista.
Questões filosóficas importantes surgem no processo de dar valor para recursos naturais ou capital natural. A economia neoclássica sugere que devemos dar valor apenas para os recursos que conseguem fornecer valor individualmente. Mas contabilizar para todo o ecossistema como capital natural faz com que tenhamos que contabilizar os benefícios para humanos e outras espécies. Estes cálculos abrange uma variedade de variáveis no processo de acumular valor às pessoas.
Em outras palavras, é muito difícil conectar diretamente o valor de cada elemento do ecossistema natural ao benefício humano. Então, contabilizar o capital natural envolve contabilizar as complexidades nos valores de uso direto e indireto para justificar o valor do ecossistema.
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
A contabilização dos recursos naturais serve para diminuir o desperdício (Foto: Reprodução)
Um rio, por exemplo, pode ter seu valor direto pelo serviço que ele proporciona. Porém, a qualidade de suas águas depende de diversos fatores, como matas ciliares e fauna que ajudam a limpar e manter em equilíbrio as cargas de nutriente no sistema. Estes possuem valores indiretos.
A chave para o valor de um capital natural são os serviços que o ecossistema oferece. Serviços ecossistêmicos são comumente definidos como o fluxo de benefícios de um ecossistema que se origina dos processos que fazem com que esse ecossistema funcione.
A contabilização de serviços ecossistêmicos é uma das formas que cientistas e economistas compreendem e comunicam o valor de um sistema natural intacto. Vamos usar como exemplo os ecossistemas costeiros que podem ser identificados por nomes, como praias, áreas alagadiças, recifes de corais, mangues, dunas, estuários, lagoas e muitos outros.
Nós sabemos que 20% da superfície terrestre são formadas de zonas costeiras e que neles estão situados mais de 45% da população global, incluindo 75% das grandes cidades do mundo. Os ativos em capital natural nas zonas costeiras vêm sofrendo significativamente nas últimas três décadas. Cerca de 50% dos pântanos foram perdidos ou degradados, 35% dos mangues e 30% dos corais devido aos impactos de causa naturais e antrópicas como a invasão do ambiente construído, erosão do solo, aumento do nível do mar e por aí vai.
A degradação desses ecossistemas mostrou ter um custo significante para as comunidades que vivem perto e longe dessas áreas, além das espécies que vivem por lá. Este fato faz com eles sejam grandes exemplos de capital natural. Quando esses ecossistemas param de funcionar, e em alguns caso de existir, eles param de fornecer alguns serviços muito óbvios, e outros não tão óbvios assim. Isto implica em uma das realidades mais trágicas com relação aos serviços ecossistêmicos.
Manifestação contra a degradação de recursos costeiros (Foto: Reprodução)
Manifestação contra a degradação de recursos costeiros (Foto: Reprodução)
A civilização humana não compreende que benefícios esses ecossistemas fornecem, até que eles não existam mais.
E quando os recursos naturais param de fornecer funções vitais, as pessoas acabam tendo que pensar em soluções artificiais para substituir estas funções. Porém, é provado que a produção destes substitutos acaba sendo insuficientes, do ponto de vista funcional, e caros, do ponto de vista econômico, às alternativas naturais.
No caso dos ecossistemas costeiros mencionados anteriormente, alguns dos serviços perdidos são bastante numerosos. Os exemplos incluem a criação de praias, dunas e estuários, contaminação, retenção e armazenamento de sedimentos, exportação de biomassa, manutenção de berçário de peixes, regulação de fluxo e qualidade de águas, sequestro de carbono, lazer e outros, assim como herança cultural.
Então, como que as pessoas começam a contabilizar, dar valor ao capital natural?
Muitos praticantes de sustentabilidade usam modelos em seus planejamentos. Os modelos permitem que os praticantes criem um esqueleto abstrato de um cenário para começar a contabilizar, para todos os ecossistemas como fontes de vasto capital natural, o qual poderá ser atribuído um valor em moeda. Estes modelos reúnem grandes números de dados e usam de poderosas ferramentas de simulação para elaborar diversas políticas públicas, regulamentos e cenários de planejamento para a conservação e gerenciamento dos recursos naturais.
Estas ferramentas permitem que cientistas, desenvolvedores, economistas e outros, comparem diferentes fatores como os serviços ecossistêmicos, gerenciamento de recursos naturais, impactos de novas infraestruturas no ambiente construído, dentre outras, nas suas decisões.
Saiba mais:
Publicação original - http://blog.elementalsolucoes.com.br/2015/03/09/contabilizacao-capital-natural-e-sua-importancia-na-preservacao-meio-ambiente/