Nosso objetivo é contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento que considere as dimensões humanas, ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas. A sustentabilidade é resultado de ações concretas e eficientes, desenvolvidas através de parcerias amplas e que considerem as dimensões e os interesses comuns de todas as partes interessadas, possibilitando a construção de ações orgânicas, sinérgicas e eficazes, indispensáveis ao presente e futuro sustentável.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cultura consolidada: a sustentabilidade no centro do seu negócio

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Ser um negócio lucrativo ou sustentável? A melhor resposta é: ser lucrativo para continuar sendo sustentável. Existem muitos equívocos em torno do conceito de sustentabilidade, mas o básico é que se entenda que, para que uma instituição consiga equilibrar os pilares social, ambiental e econômico, é preciso considerar uma rentabilidade a longo prazo, em uma busca bastante sensata por soluções que beneficiem também as futuras gerações. E, para isso, não existe uma fórmula mágica, mas, sim, bastante análise e um caminho construído passo a passo.

Já se foi o tempo em que promover uma ação ecológica isolada fazia bem para a imagem de uma empresa. O consumidor de hoje é muito mais exigente e quer ver a sustentabilidade no centro da estratégia do negócio. Atualmente, agir de maneira responsável em relação ao meio ambiente é uma obrigação legal, que garante, inclusive, licença para a empresa operar. O que as corporações precisam perceber é que, quanto mais autenticamente for praticada a sustentabilidade em sua gestão, maiores serão os resultados.

Mas como e por que traçar esse longo caminho? Pois é exatamente o que vamos ver agora:

Sustentabilidade lucrativa

Em um estudo intitulado The Impact of Corporate Sustainability on Organizational Processes and Performance — O Impacto da Sustentabilidade Corporativa nos Processos Organizacionais e de Desempenho, em tradução livre —, a Universidade de Harvard observou os resultados do desempenho de várias empresas ao longo de 18 anos, analisando índices de bolsas de valores juntamente com as políticas das organizações para verificar quais delas realmente possuíam uma cultura de sustentabilidade.

Depois de selecionadas apenas as que se enquadravam nesses critérios, foi o momento de elencar as companhias que mais se destacaram. Chegou-se, então, à seguinte conclusão: as empresas de alta sustentabilidade — que implantavam o maior número de políticas voltadas para esse fim — apresentaram desempenho muito melhor do que as outras. E por melhor desempenho entende-se melhores taxas de retorno, valorização do patrimônio, maior lucro e menor desvalorização em épocas de queda das bolsas.

Segundo os pesquisadores, esse resultado é vinculado ao perfil das empresas, que conseguiam engajar os públicos de interesse e atuavam com transparência, destinando investimentos para projetos de mais longo prazo, voltados para demandas socioambientais integradas a qualidade, segurança e sucesso financeiro.

Consciência sustentável

Várias empresas investem em ações tidas como ecologicamente corretas — providenciando o corte na emissão de carbono ou realizando programas esporádicos de reciclagem, por exemplo —, no entanto, para se ter uma cultura sustentável consolidada é preciso que a organização mantenha suas políticas por um longo período, além de incluir uma estratégia atenta às demandas e às expectativas de seu público, enquanto, paralelamente, aprimora seu desempenho corporativo, ambiental e social. Só assim é possível atingir uma gestão eficiente em todos os sentidos.

Mas atenção: de nada adianta manter a postura e não comunicá-la ao mercado, afinal, parte da consciência sustentável consiste em repassar exemplos por meio da demonstração de resultados, provando-se, assim, por A mais B, que o investimento vale a pena. É importantíssimo, portanto, aprender as melhores formas de divulgar esse saldo, mostrando para seus clientes, fornecedores, investidores e demais interessados que está no caminho certo.

A jornada não é curta, mas com certeza vale a pena. E então, vamos caminhar? Comente aqui e nos conte sobre sua própria jornada. Compartilhe suas experiências conosco!

Artigo - Márcio Feitosa.
Fonte - http://www.teraambiental.com.br/blog-da-tera-ambiental/cultura-consolidada-a-sustentabilidade-no-centro-do-seu-negocio?utm_content=9792852&utm_medium=social&utm_source=linkedin

domingo, 16 de novembro de 2014

Seis passos para a sustentabilidade empresarial

Em meio a vários desafios de ordem ambiental, econômica e social, atualmente é impossível ter uma empresa e não considerar estes aspectos dentro do planejamento estratégico. Tendo essa premissa como base, a especialista em gestão e educação para a sustentabilidade, Roberta Valença, CEO da consultoria Arator, separou seis passos que podem ajudar a empresa a se tornarem mais sustentáveis.

1. Qual é a situação da empresa hoje?
O olhar deve partir sempre de dentro para fora. Se existem problemas emergenciais relacionados à desmotivação entre os colaboradores, processos trabalhistas, metas não batidas ou perda de clientes, o esforço de mudança inicia a jornada em busca de sustentabilidade para enfrentar a crise imediata. Em seguida, aproveite a atmosfera de sensibilização como base para se antecipar ao futuro e responder hoje as questões de amanhã.

2. Como começar direito?
O ideal é se reunir com o corpo diretivo para falar sobre a abordagem da sustentabilidade na estratégia da empresa. Eles precisam enxergar a necessidade de fazê-la e, consequentemente, conseguirão visualizar possíveis oportunidades. Para isso, crie um comitê de pessoas interessadas no tema e dispostas em realizar projetos interessantes voluntariamente.

3. Formulando a estratégia de sustentabilidade
Depois se seguir os dois primeiros passos, agora é possível traduzir os pontos fracos e fortes em oportunidades de negócios que serão a base de sua estratégia.
Essa abordagem e seu plano de negócios devem ser únicos e integrados e não dois programas separados, que funcionam em paralelo. Todos os colaboradores devem orientar suas condutas em prol de um único objetivo.

4. Estabelecendo metas e indicadores
Após escolher as metas prioritárias, a técnica da minimização e da otimização pode ajudar na fixação de indicadores para mensurar os resultados. Uma empresa de serviços aos clientes, por exemplo: minimização é responder com mais rapidez as queixas, desde que estes se sintam completamente atendidos; otimização é trabalhar com clientes insatisfeitos para desenvolver novos produtos adequados às suas necessidades.

5. Engajamento Interno
Aqui, a postura proativa do RH é imprescindível. Costurar as causas da empresa aos propósitos dos colaboradores é fundamental. Eles precisam saber exatamente o porquê das metas, dos indicadores, de como chegaram até essa estratégia e compreender o quão importante são nesse processo. Precisam alcançar o entendimento de que são partes fundamentais para que tudo saia como o esperado e essa é a realidade.
Muitas estratégias de sustentabilidade não funcionam porque não fazem a integração orgânica com os funcionários. Uma mera palestra mecânica falando sobre a estratégia não induz ninguém à ação.

6. Além da Sustentabilidade
O processo de sustentabilidade não tem fim. A esperança é de que um dia esteja tão integrado ao nosso modelo mental que já esteja intrínseco a qualquer decisão empresarial.
Há companhias que iniciam seu caminho na área pelos modelos de relatórios existentes, como o GRI (Global Reporting Initiative) ou pelo ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), da Bovespa. Os relatórios existem para “relatar o que já fazem, portanto, tendo percorrido um caminho natural, o documento ajuda mais na frente a aprofundar essas questões. Hoje, o que acontece é que ele acaba valorizando mais o “ser” do que o “ter” e, o que se vê muito, são corporações preocupadas em preencher um relatório a todo custo, sem integrar a essência dele – que é o que importa de fato.
Esses passos são um bom começo para quem estiver disposto a fazer algo melhor do que já faz atualmente. No meio do processo haverá maior entendimento do negócio e as boas ideias surgirão naturalmente. A sustentabilidade sempre agrega.

Artigo - Roberta Valença.
Fonte - http://ciclovivo.com.br/noticia/6-passos-para-iniciar-a-sustentabilidade-em-sua-empresa

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pagamos tanto por lixo quanto por alimentos

Este assunto já foi tema de crônica anterior em que relato minha experiência com a transição da vida simples numa cidade considerada periférica – sem produção de lixo – para a sociedade “de consumo”.
Segundo conceitos de marketing, o primeiro impulso de consumo do homem é visual e as embalagens representam hoje um componente importante de valorização de um produto, podendo mesmo representar o seu sucesso ou insucesso de vendas no mercado, exercendo forte influencia no comportamento do consumidor. A importância das embalagens aumentou mais ainda quando as empresas perceberam que havia um mercado espetacular ávido por consumo até então inexplorado: o mercado infantil.
As embalagens deveriam ser um meio e não um fim pelo fato de não ser o produto em si, mas apenas um recipiente do produto final, este sim objeto das necessidades e desejos do consumidor. Contudo a maioria dos consumidores não sabe que embutido no preço do produto, vai uma parcela significativa dos custos equivalente as embalagens, algumas vezes superando o valor do produto propriamente dito. Com o consumo exacerbado, o que o consumidor não sabe é que o preço desta conta é pago em dobro: pelo valor da embalagem diretamente embutida no custo do produto e pela coleta do lixo decorrente do descarte desta embalagem.
O fracionamento de produtos eleva o seu custo. Por exemplo, o consumo de um produto em frascos de 100 a 300 ml pode ficar até 10% mais caro, que se consumido em frascos de 1.000 a 5.000 ml. Um exemplo é o consumo de água mineral. Além de elevar o custo aumenta a produção de lixo com as embalagens “descartáveis”.
As embalagens “modernas” permitiram que a produção de alimentos passasse ao controle de poucas empresas no mundo, eliminando a prática salutar da maioria dos pequenos agricultores de fornecer seus produtos diretamente aos consumidores, como era feito no passado. Embalagens provocativas que estimulam de imediato o consumo, muitas vezes de produtos não tão saborosos e nutritivos como os anúncios dizem ser, permitiram sua distribuição nas regiões mais remotas da Amazônia. Hoje no meio rural e nas pequenas cidades da região o lixo já é um fato e a obesidade um problema de saúde pública.
Vejamos o que acontece com os produtos de consumo massificados. No refrigerante de R$ 3,00, 90% é custo do líquido, 10% é embalagem. Na água mineral com preço de R$ 1,00, 20% é custo do líquido 80% é embalagem. Uma grande embaladora de leite afirma que a embalagem corresponde a 17% do custo de um litro do leite longa vida.
Segundo afirma Andrea Vialli em matéria no Estado de São Paulo, a produção de lixo no Brasil cresceu em 2010 6,8% em relação a 2009, enquanto que a coleta seletiva apenas 1,6%. A consequência é o descarte inadequado do lixo em aterro a céu aberto. Em plena região metropolitana de Belém, o lixão do Aurá é uma verdadeira bomba relógio, ameaçando com a contaminação de chorume os mananciais que abastecem de água toda a região metropolitana.
Pagamos um preço muito caro pelas embalagens, considerando a efemeridade em que elas nos são útil e seu longo período para degradação no meio ambiente. Principalmente agora com a ameaça a saúde dos seres vivos com uma substância componente dos plásticos conhecida como Bisfenol A, já proibida no Canadá, Dinamarca, Costa Rica e em alguns estados nos Estados Unidos. Segundo pesquisas esta substância de tamanho nanométrico entra na corrente sanguínea e se confunde com o estrogênio, confundindo todo o sistema hormonal do ser humano. As mesmas pesquisas revelam que os peixes também confundem o Bisfenol A com o plâncton no mar.
De copos descartáveis a sacolas plásticas de supermercados. Do isopor de proteção de geladeiras a fibras sintéticas de proteção de eletrodomésticos. É muito lixo gerado diariamente nas grandes cidades, onerando o orçamento das prefeituras, subtraindo investimentos em saúde e educação. A concepção moderna de um plano de marketing deve continuar levando em conta todos os impulsos do consumidor. Mas principalmente uma nova condição biodegradável da embalagem deve ser objeto de pesquisas, considerando a sua adequação ao meio ambiente, evidentemente sem deixar de perseguir a redução de seu custo no produto final. A coleta seletiva é cara e de difícil organização logística e a reciclagem é consumidora de energia.
Raimundo Nonato Brabo Alves é Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental
 Publicado no Portal EcoDebate, 10/11/2014