Nosso objetivo é contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento que considere as dimensões humanas, ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas. A sustentabilidade é resultado de ações concretas e eficientes, desenvolvidas através de parcerias amplas e que considerem as dimensões e os interesses comuns de todas as partes interessadas, possibilitando a construção de ações orgânicas, sinérgicas e eficazes, indispensáveis ao presente e futuro sustentável.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A crise da água e o Rio Grande do Sul

água
Uma das notícias com mais repercussão nos últimos meses é a crise de abastecimento de água e a diminuição dos recursos hídricos necessários às diversas atividades humanas e econômicas na Região Sudeste, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, para onde está previsto nos próximos meses o colapso quase irreversível da disponibilidade deste recurso fundamental, inclusive com a possibilidade do êxodo de atividades econômicas e cidadãos para outras regiões e Estados do País. No Brasil, há uma visão da população e poderes públicos de que temos acesso ilimitado aos recursos hídricos, especialmente a água doce, única possível de utilização para o consumo, agropecuária e muitas outras atividades essenciais. Mas a água não é um bem de consumo infinito, sendo fundamentais políticas adequadas de gestão, regularidade das outorgas, preservação das fontes, rios, bacias hidrográficas, matas ciliares, banhados, além de controlar os desperdícios durante a distribuição pós-tratamento.

Em 2015, a Agência Nacional das Águas – ANA prevê que 55% das cidades brasileiras terão problemas de abastecimento, não apenas em suas áreas urbanas, mas também rurais, dificultando a produção agropecuária e de alimentos localmente, com impactos regionais e nacionais importantes, inclusive com a inviabilização produtiva de muitas culturas e atividades e suas consequências imediatas, extensíveis ao tempo e processos de desenvolvimento. O desperdício médio de água tratada durante sua distribuição é calculado em 37% no país, principalmente por ausência de manutenção da infraestrutura e investimentos em tecnologias adequadas, por exemplo, o uso de softwares para controle dos volumes de entrada e saída, inclusive nas outorgas aos setores produtivos.
Embora o uso doméstico seja minoritário com aproximadamente 6% – agropecuária 70% e indústrias 24% – no Brasil o nível de consumo médio é alto com 165 litros/habitante/dia. Estudos indicam que 100 litros seriam suficientes. Ou seja, são necessárias políticas públicas, responsabilidade coletiva e educação ambiental para minimizar os problemas diretos e indiretos relacionados à disponibilidade da água.
Mas e o Rio Grande do Sul, está isento ou menos vulnerável a esta realidade brasileira e mundial? Reportagem do jornal Zero Hora de 30/08/2014 afirma que o RS apresenta um dos maiores desequilíbrios entre oferta e demanda de água, principalmente na metade sul, além de problemas relacionados com a qualidade na região metropolitana, de acordo com estudos da Agência Nacional de Águas – ANA que divide o Brasil em 12 regiões hidrográficas, estando duas – Uruguai e Atlântico Sul – no território gaúcho. A do Uruguai tem 32% dos trechos dos mananciais que a compõem considerados em situação crítica e na do Atlântico Sul 35%. Apenas duas regiões hidrográficas, no semiárido nordestino, são consideradas mais frágeis do que as gaúchas.
Entre os dez rios mais poluídos do Brasil, três estão no RS: Sinos, Gravataí e Caí. Na Região da Campanha, o rio Santa Maria também apresenta problemas de poluição e diminuição de sua vazão, fenômeno que se repete em várias outras bacias hidrográficas. Captação de água para irrigação em grande escala, assoreamento de rios e riachos naturais e destruição de fontes por atividades econômicas de monoculturas extensivas, além da ausência de tratamento dos esgotos domésticos e industriais são os principais agravantes desta situação.
Portanto, o RS precisa ficar alerta e aperfeiçoar o uso, conservação e recuperação dos seus recursos hídricos, garantindo o abastecimento público e em suas atividades econômicas com planejamento de longo prazo e políticas públicas adequadas, fiscalização, fortalecimento dos comitês de bacias hidrográficas, regularidade das outorgas, investimentos da Companhia Riograndense de Saneamento – Corsan em tecnologias, combate aos desperdícios, tratamento dos esgotos, recuperação de mananciais, educação ambiental e capacitação permanente. O RS pode enfrentar os seus possíveis problemas quanto à disponibilidade de água no futuro (não muito distante), mas para isso precisa identificar agora e agir imediatamente.
Antonio Silvio Hendges, Articulista do Portal EcoDebate, professor de Biologia, assessoria em Sustentabilidade e Educação Ambiental, Diretor do Cenatec – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 24/02/2015

* Este artigo também está publicado na edição nº 46, fevereiro/2014, da revista gaúcha Em Evidência – www.revistaemevidência.com.br
"A crise da água e o Rio Grande do Sul, artigo de Antonio Silvio Hendges," in Portal EcoDebate, 24/02/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/02/24/a-crise-da-agua-e-o-rio-grande-do-sul-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ações de consumo sustentável da água nas empresas

Consumo_eficiente_de_água
Diante da crise hídrica no Brasil, os apelos para o consumo eficiente da água — seja nos domicílios, nas empresas ou nas indústrias — apontam para a implementação de mudanças urgentes no dia a dia de todos os cidadãos. No contexto da escassez do recurso, o investimento em soluções ambientais como reúso, tratamento e reutilização da água para lavagem e irrigação, além de medidas simples de economia, é estratégia cada vez mais indispensável para que empreendimentos e indústrias de todos os setores instituam processos mais sustentáveis, otimizem os lucros e desempenhem seu papel no cenário atual de estiagem.

Tendo em vista o panorama, é certo que o recurso natural se tornará mais escasso e mais caro para os negócios. Quando falamos de empresas que tem na água sua matéria-prima, como as indústrias de bebidas, a questão se agrava ainda mais, visto que os custos tendem a se elevar na cadeia de produção como um todo.

Confira 5 dicas para otimizar o consumo da água na sua empresa ou indústria:

1. Institua uma campanha de conscientização

Envolver todos os funcionários — além de fornecedores e clientes — em uma grande campanha deconscientização é um passo importante para agregar o negócio por completo na causa da economia da água. Ainda que algumas medidas pareçam bastante básicas, muita gente não sabem por onde começar a efetivamente poupar o recurso no dia a dia. Reuniões periódicas com a equipe para tratar da pauta e a criação e distribuição de cartilhas sobre o tema, além da instituição de metas de economia, são boas formas de englobar a equipe.

2. Inspecione possíveis vazamentos

Vazamentos não identificados nas empresas e indústrias podem ser fontes de imenso desperdício, além de grandes prejuízos na conta do fim do mês. Uma única torneira pingando gasta uma média de 45 litros de água por dia, o que representa 16 mil litros desperdiçados por ano.

Se os números são impressionantes, as medidas para evitar o problema são bastante simples: checar o hidrômetro com frequência, contratar uma empresa para a identificação de vazamentos e convocar os funcionários para avisarem quando se depararem com torneiras danificadas e manchas de infiltração são estratégias básicas e eficientes.

3. Aproveite a água da chuva

Os benefícios são igualmente notáveis e o investimento baixo. Após a instalação de um sistema de captação, a água pluvial pode ser utilizada para os mesmos fins da água de reúso convencional, poupando recurso e diminuindo as contas mensais. Veja detalhes de como realizar o reaproveitamento no blog post:Água de chuva não deve ser direcionada a rede de esgoto.

4. Promova reformas nos banheiros

A substituição de torneiras e descargas sanitárias antigas por modelos mais novos e eficientes pode representar um investimento mais do que compensador, principalmente se considerarmos empresas de médio e grande porte. O impacto da economia de água sob essas condições pode ser altíssimo, tendo em vista o número de funcionários que utilizam as instalações sanitárias todos os dias. Nesse sentido, a opção por torneiras que funcionam em um sistema de pressão e descargas que possibilitam duplo acionamento são excelentes estratégias de economia. De acordo com informações da Sabesp, as torneiras de pressão economizam aproximadamente 20% quando comparadas aos modelos convencionais.

5. Considere um programa de reúso da água

Ao optar pelo reúso da água, a empresa promove o reaproveitamento do recurso para outras atividades que não exigem água nobre, gerando economia, reduzindo drasticamente o consumo e ainda contribuindo de forma inestimável para o quadro de escassez. Ao instituir ou terceirizar o tratamento dos efluentes produzidos pela empresa, é possível direcionar a água resultante para tarefas cotidianas como lavagem de pátios, irrigação de jardins e limpeza de maquinários. A economia, em termos monetários e ambientais, supera e muito o investimento em pouco tempo.

Em contribuição ao tema, a FIESP apresenta uma série de sugestões muito úteis para a orientação do setor industrial, as quais podem ser implantadas a curto prazo, conforme as características de cada indústria e sua localização: Gerenciando a Escassez de Água na Indústria

Unindo sustentabilidade e economia, a implementação de estratégias simples como as listadas acima representam benefícios imensuráveis para o meio ambiente e para a rentabilidade do seu negócio.

Publicação original: http://www.teraambiental.com.br/blog-da-tera-ambiental/confira-5-dicas-para-um-consumo-eficiente-de-agua-na-sua-empresa?utm_content=12346385&utm_medium=social&utm_source=linkedin 

Título original: confira 5 dicas para um consumo eficiente de água na sua empresa. Autor: Robert Atademo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Compras públicas sustentáveis - Portaria nº 507/2014


artigo
O Ministério da Fazenda através da Portaria nº 507/2014, estabelece práticas de sustentabilidade socioambiental nas compras por este Ministério e suas entidades vinculadas, considerando que a Administração Pública quando exerce seu poder de compra e contratações, desempenha papel de destaque na orientação dos agentes econômicos e na adoção de padrões dos sistemas produtivos e de consumo de produtos e serviços ambientalmente sustentáveis, inclusive ao estímulo às inovações tecnológicas.

Nas aquisições e contratações realizadas pelo Ministério da Fazenda e entidades vinculadas serão observados critérios de preferência por fornecedores e produtos que comprovem menor impacto ambiental, justificativas e especificações técnicas socioambientais que atendam aos interesses da administração pública de preservação do meio ambiente e bem estar social. Os responsáveis pelas aquisições de bens e contratações de serviços devem manter um banco de dados com o registro destas aquisições e contratações sustentáveis.
Nos processos de aquisições de bens e contratações precedidas ou não de licitações (Lei 8.666/1993) os responsáveis devem observar a adoção de procedimentos racionais nas decisões de consumo, com observação das necessidades, oportunidades e economicidade dos produtos, bens e serviços, compra de no mínimo 25% da quantidade total de papel no formato A-4 não clorado ou reciclado, aquisição de equipamentos duráveis, reparáveis e com possibilidades de aperfeiçoamento e utilização de impressoras duplex, respeitando-se a vida útil dos equipamentos que atualmente estão em serviço ou estoque.
Nas rotinas de trabalho sempre que possível deve-se utilizar correio eletrônico, impressão frente e verso nos documentos e outras impressões, confecção de publicações, pôsteres, convites, cartões e outros impressos em papéis não clorados ou reciclados, medidas de redução do consumo de água, energia e outros insumos, descarte correto dos resíduos, partes, componentes e/ou produtos obsoletos. Os órgãos do Ministério da Fazenda e entidades associadas promoverão ações de sensibilização e capacitação aos seus trabalhadores, através de conteúdos relacionados com as práticas sustentáveis.
A Portaria MF nº 507 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de dezembro de 2014. Para acessar a íntegra desta portaria: http://www.fazenda.gov.br/institucional/legislacao/2014/portaria-no-507-de-16-de-dezembro-de-2014-1
Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, Professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria em Sustentabilidade e Educação Ambiental –www.cenatecbrasil.blogspot.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 14/01/2015
Para citar este artigo: "Compras Públicas Sustentáveis – Portaria Ministério da Fazenda nº 507/2014, por Antonio Silvio Hendges," in Portal EcoDebate, 14/01/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/01/14/compras-publicas-sustentaveis-portaria-ministerio-da-fazenda-no-5072014-por-antonio-silvio-hendges/.