quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os resíduos sólidos na Região Sudeste do Brasil em 2016.

Imagem: Mochileiro.tur
A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe divulgou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, obtidos com a soma das projeções de cada região do país em que está descrita a produção e destino final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, resíduos de saúde – RSS, resíduos de construções e demolições – RCD e alguns dos previstos nos acordos de logística reversa.

Este conteúdo está descrito nos meus artigos anteriores no EcoDebate sobre o panorama nacional e Região Sul do Brasil. Neste artigo, estão informações específicas sobre os aspectos da geração de resíduos e sua destinação final em 2016 na Região Sudeste do Brasil com quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro com 1.668 municípios.

Em relação aos resíduos sólidos urbanos – RSU, a Região Sudeste produziu 104.790 toneladas/dia com 52,7% do total do país e queda de 2,4% em comparação com o panorama anterior de 2015. A produção per capita/habitante /dia foi de 1,21 Kg com queda de 3,1%. Os recursos financeiros aplicados pelos municípios da Região Sudeste foram de R$ 4,92 por habitante/mês na coleta dos RSU e 7,77 nos demais serviços de limpeza urbana, com total de R$ 12,69 por habitante/mês. Os serviços de limpeza urbana movimentaram 14,9 bilhões com queda de 0,3% em relação aos dados anteriores.

Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
107.375
1.252
2016
104.790 (-2,4%)
1.213 (-3,1%)
Tabela – Geração diária total e individual de RSU na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Quanto à coleta dos RSU, 98% foram recolhidos, mas houve queda de 1,9% no total e de 2,6% per capita e 27,3% correspondentes a 27.978 toneladas/dia foram destinados para lixões e aterros controlados sem tratamentos adequados.

Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
104.631
1.220
2016
102.620 (-1,9%)
1.188 (-2,6%)
Tabela 2 – Quantidade de RSU coletados na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Em relação à coleta seletiva, 1.454 dos 1.668 municípios da Região Sudeste declaram que possuem iniciativas, mas não há informações sobre os números desta atividade. Possivelmente em muitos destes municípios sejam iniciativas de pequeno porte, sem influência significativa no conjunto da gestão dos RSU. A disposição final sem tratamentos em aterros controlados e lixões aumentou 0,3% em relação ao panorama anterior.

Ano
Aterro sanitário (ton./dia)
Aterros controlados (ton./dia)
Lixões (ton./dia)
2015
76.345 = 73%
17.998 = 17,2%
10.288 = 9,8%
2016
74.642 = 72,7%
17.750 = 17,3%
10.228 = 10%
Tabela 3 – Disposição final dos RSU na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Resíduos de construções e demolições – RCD – coletaram-se 63.981 toneladas/dia com geração per capita de 0,741 Kg/habitante/dia. Houve uma pequena variação negativa no total coletado e na geração individual dos RCD na Região Sudeste.

Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
64.097
0,748
2016
63.981
0,741
Tabela 4 – Coleta de RCD na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Resíduos sólidos de saúde – RSS – Foram produzidos 178.033 toneladas de RSS na Região Sudeste em 2016, com geração per capita de 2,062 Kg/habitante. Os tratamentos utilizados foram autoclave em 17,6%, incineração em 34,7%, micro-ondas em 7,2%, com 40,5% tendo outros destinos não declarados, significando que este percentual de RSS, correspondentes a 72.103 toneladas possivelmente foram para lixões, aterros, valas sanitárias irregulares e o meio ambiente.

Estado
2015
(Ton./ano – Kg/habitante/ano)
2016
(Ton./ano – Kg/habitante/ano)
São Paulo
101.952 – 2.296
101.643 – 2.271
Minas Gerais
40.135 – 1.923
38.405 – 1.829
Rio de Janeiro
31.234 – 1.887
30.936 – 1.860
Espírito Santo
7.086 – 1.803
7,049 – 1.774
Total
180.407 – 2.104
178.033 – 2.062
Tabela 5 – Geração de RSS na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Fonte – Abrelpe.

O panorama da Abrelpe não apresenta informações específicas sobre a reciclagem e a logística reversa na Região Sudeste.

No próximo artigo, os resíduos sólidos na Região Centro-Oeste do Brasil em 2016.

Antonio Silvio Hendges – Articulista no EcoDebate, professor de biologia e educação ambiental, pós graduação em auditorias ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental. Email: as.hendges@gmail.com – Blog: www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/11/2017
"Os Resíduos Sólidos na Região Sudeste do Brasil em 2016, artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/11/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/11/14/os-residuos-solidos-na-regiao-sudeste-do-brasil-em-2016-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

O conteúdo da revista EcoDebate e do blog do Cenatecpode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Resíduos sólidos na Região Sul do Brasil em 2016.

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe divulgou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, obtidos com a soma das projeções de cada região do país e que descreve a produção e destino final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, resíduos de saúde – RSS, resíduos de construções e demolições – RCD e os previstos nos acordos de logística reversa. Este conteúdo está descrito nos meus artigos anteriores publicados no Portal EcoDebate.
Nos próximos artigos e com base neste panorama da Abrelpe, estão as informações específicas sobre os aspectos regionais da geração de resíduos e sua destinação final no Brasil no ano de 2016. Iniciamos a série com as informações referentes à Região Sul com três Estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – e 1.191 municípios.

Em relação aos resíduos sólidos urbanos – RSU, a Região Sul produziu 22.581 toneladas/dia com 10,7% do total do país e queda de 2% em comparação com o panorama anterior de 2015. A produção per capita/habitante /dia foi de 0,752 Kg com queda de 2,7%. Os recursos financeiros aplicados pelos municípios da Região Sul foram de R$ 3,61 por habitante/mês na coleta dos RSU e 4,23 nos demais serviços de limpeza urbana, com total de R$ 7,84 por habitante/mês. Os serviços de limpeza urbana movimentaram 3,2 bilhões com queda de 0,8% em relação ao ano anterior.

Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
22.586
0,773
2016
22.127 (-2%)
0,752 (-2,7%)
Tabela – Geração diária total e individual de RSU na Região Sul do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Quanto à coleta dos RSU, 95% foram recolhidos, mas houve queda de 1,5% no total e de 2,2% per capita e 29,4% correspondentes a 6.163 toneladas/dia foram destinados para lixões e aterros controlados sem tratamentos adequados.

Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
21.316
0,729
2016
20.987 (-1,5%)
0,713 (-2,2%)
Tabela 2 – Quantidade de RSU coletados na Região Sul do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Em relação à coleta seletiva, 1070 dos 1191 municípios da Região Sul declaram que possuem iniciativas, mas não há informações sobre os números desta atividade. Na maioria destes municípios é provável que sejam iniciativas de pequeno porte que não tem uma influência significativa no conjunto da gestão dos RSU. A disposição final sem tratamentos em aterros controlados e lixões teve um pequeno aumento em relação ao panorama anterior.

Ano
Aterro sanitário (ton./dia)
Aterros controlados (ton./dia)
Lixões (ton./dia)
2015
15.105 = 70,9%
3.899 = 18,3%
2.312 = 10,8%
2016
14.824 = 70,6%
3.859 = 18,4%
2.304 = 11%
Tabela 3 – Disposição final dos RSU na Região Sul do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Resíduos de construções e demolições – RCD – coletaram-se 16.718 toneladas/dia com geração per capita de 0,568 Kg/habitante/dia. Houve aumento no total coletado, mas também uma pequena queda na geração individual dos RCD.

Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
16.662
0,570
2016
16.718
0,568
Tabela 4 – Coleta de RCD na Região Sul do Brasil em 2016.
Fonte: Abrelpe.

Resíduos sólidos de saúde – RSS – Foram produzidos 13.632 toneladas de RSS na Região Sul em 2016, com geração per capita média de 0,510 Kg/habitante. Os tratamentos utilizados foram autoclave em 52%, incineração em 43,6% e micro-ondas em 2,6%, com 1,8% tendo outros destinos, provavelmente com disposição inadequada em lixões, aterros e valas sanitárias.

Estado
2015
(Ton./ano – Kg/habitante/ano)
2016
(Ton./ano – Kg/habitante/ano)
Paraná
2.912 – 0,261
2.814 – 0,250
Rio Grande do Sul
5.217 – 0,464
5.061 – 0,448
Santa Catarina
5.794 – 0,850
5.757 – 0,833
Total
13.923 – 0,525
13.632 – 0,510
Tabela 5 – Geração de RSS na Região Sul do Brasil em 2016.
Fonte – Abrelpe.

Não há no documento da Abrelpe informações específicas sobre a reciclagem e a logística reversa na Região Sul.

No próximo artigo, os resíduos sólidos na Região Sudeste do Brasil em 2016.

Antonio Silvio Hendges – Articulista no EcoDebate, professor de biologia e educação ambiental, pós graduação em auditorias ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental. Email: as.hendges@gmail.com – Blog: www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/11/2017
"Resíduos Sólidos na Região Sul do Brasil em 2016, artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 9/11/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/11/09/residuos-solidos-na-regiao-sul-do-brasil-em-2016-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

O conteúdo da revista EcoDebate e do blog do Cenatec pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Logística reversa e reciclagem dos resíduos sólidos no Brasil em 2016.

Os dados deste artigo tem como base o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, uma publicação da Associação das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe que anualmente divulga os dados estatísticos relacionados com suas atividades no país. Nos artigos anteriores, estão descritos os dados gerais da produção de resíduos no país, a disposição final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, os resíduos de construções e demolições – RCD, os resíduos dos serviços de saúde – RSS e outras informações complementares. Neste artigo estão descritas as ações referentes à logística reversa e reciclagem.

A reciclagem, definida como um processo de transformação dos resíduos em insumos ou novos produtos é uma prioridade na gestão de acordo com a Lei 12.305/2010 que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. A logística reversa, instrumento vinculado ao princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e restituição dos resíduos e/ou produtos obsoletos aos setores empresariais para aproveitamento no mesmo ciclo, em outros ciclos produtivos ou para destinação final ambientalmente adequada, implantada através de acordos setoriais e termos de compromissos dos setores empresariais é um instrumento fundamental da PNRS.

As embalagens e restos de agrotóxicos, óleos lubrificantes e pneus usados possuem sistemas próprios de coleta e destinação. As embalagens em geral também estão previstas em acordo setorial a partir de 2015 com meta de em 24 meses recolherem e destinarem adequadamente 3.800 toneladas/dia, mas ainda não há dados disponíveis. Os eletroeletrônicos, lâmpadas, pilhas e baterias não estão no relatório da Abrelpe em 2016.

1 – Logística Reversa

Agrotóxicos – O Impev, Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias desde 2001 realiza a logística reversa e a gestão pós-consumo das embalagens vazias de agrotóxicos através do Sistema Campo Limpo em todas as regiões do país. Em 2016 foram 44.528 toneladas recolhidas, 94% do total de embalagens primárias comercializadas, sendo 90% recicladas e 4% incineradas. Em comparação com 2015, houve uma redução de 2%. Mas mesmo com esta queda o Brasil manteve a liderança e a referência mundial na destinação de embalagens vazias de agrotóxicos.

Óleos lubrificantes – O Instituto Jogue Limpo criado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes – Sindicom é responsável pelo Programa Jogue Limpo para a logística reversa e a gestão pós-consumo das embalagens de óleos lubrificantes. Este foi o primeiro Acordo Setorial realizado com o Ministério do Meio Ambiente em 2012 e está atuante em 14 estados – RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, BA, SE, AL, PB, PE, RN e CE – e 4.136 municípios com 39.436 pontos de coleta regulares. Em 2016 foram recolhidas 92 milhões de embalagens, correspondentes 4.591 toneladas de plásticos, redução de 7,6% em relação ao panorama de 2015.

Pneus – A Reciclanip, desde 1999 é a entidade representante dos fabricantes nacionais de pneus para a logística reversa e a gestão pós-uso, com pontos de coleta em todas as regiões do país em 1025 municípios, com foco nos municípios com mais de 100 mil habitantes – Resolução Conama 416/2009. Em 2016 foram recolhidas e recicladas 457 mil toneladas de pneus inservíveis, com crescimento de 1,1% em relação ao ano de 2015.

2 – Reciclagem

São analisados os setores de alumínio, papel e plástico com base nas informações fornecidas pelas respectivas associações representativas destes setores para a Abrelpe. As associações utilizadas como base das informações não estão listadas e as informações fornecidas são do ano de 2015. O vidro não está incluído por inexistirem dados atualizados e confiáveis sobre a sua reciclagem.

Alumínio – Os dados fornecidos são bastante vagos. Embora o panorama se refira ao ano de 2016, informa-se que no ano anterior de 2015 a reciclagem total de alumínio no Brasil foi de 602 toneladas, com uma relação entre o volume reciclado e o consumo doméstico de 38,5% em uma média mundial de 27,1%, colocando o Brasil em oitavo lugar nesta relação de consumo. No segmento de latas para o envase de bebidas, com dados também de 2015, informa-se que o Brasil está em primeiro lugar com 97,9% correspondentes a 292,5 mil toneladas recicladas.

Papel – Os dados são de 2015, com base na divisão da taxa de recuperação de papéis com potencial de reciclagem pela quantidade de papéis recicláveis consumidos durante o período. Informa-se que no ano de 2015 a taxa de recuperação foi de 63,4% com crescimento de 4%. Destaque para o setor de embalagens com 80% de reciclagem.

Plástico – São fornecidos os dados somente do PET com base nas informações da Abipet – Associação Brasileira da Indústria de PET, indicando 51% de reciclagem com 274 mil toneladas em 2015 e queda de 12,73% em relação ao panorama anterior de 2014 com 314 mil toneladas. Para ter-se uma ideia da queda na reciclagem do PET, os números estão abaixo dos dados de 2010, em que foram recicladas 282 mil toneladas.
2010
2011
2012
2014
2015
282
294
331
314
274
Tabela 1 – Série histórica da reciclagem do PET no Brasil em 2010-2015. Toneladas X 1000. Os dados de 2013 não estão disponíveis nas informações fornecidas. Fonte: Abrelpe.

Antonio Silvio Hendges – Articulista no EcoDebate, professor de biologia e educação ambiental, pós graduação em auditorias ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental. Email: as.hendges@gmail.com – Blog: www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/10/2017
"Logística Reversa e Reciclagem dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/10/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/10/24/logistica-reversa-e-reciclagem-dos-residuos-solidos-no-brasil-em-2016-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

O conteúdo da revista EcoDebate e do blog do Cenatec pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação.