sábado, 8 de abril de 2017

SMDA - Sistema de Melhoria do Desempenho Ambiental.

As empresas possuem aspectos ambientais às vezes não considerados nos projetos de desenvolvimento, produção e mercado em que estão inseridas suas atividades, produtos ou serviços. Como consequência, os impactos relacionados não estão identificados, resultando em isolamento e compartimentação das relações socioambientais, dificultando o reconhecimento e o tratamento adequado destes impactos no meio ambiente natural ou socialmente construído. Esta mesma afirmação pode ser estendida para outras organizações como escolas, edificações, atividades agropecuárias, qualquer produto ou serviço que não consideraram os ciclos de vida e/ou processos de projetos integrados em suas concepções.
Neste sentido, a implantação de Sistemas de Melhoria do Desempenho Ambiental – SMDA é um passo importante quando a empresa ou instituição pretende ou necessita adequar-se aos aspectos ambientais relacionados às suas atividades, inclusive para atingir patamares mais elevados como a implantação de sistemas de gestão ambiental, contabilidade ambiental, adoção de normas reconhecidas como a ISO 14001, rotulagem e selos ambientais ou mesmo emitir auto declaração de conformidade das atividades, produtos ou serviços com o meio ambiente.
Um SMDA será implantado contemplando todos os aspectos ambientais identificados ou focar em apenas um ou alguns considerados mais importantes no contexto socioambiental em que se atua. Esta é uma das vantagens de se implantar um SMDA como instrumento prévio à adequação geral das atividades, permitindo um diagnóstico muito preciso e a criação de instrumentos de integração eficientes e eficazes nos processos.
Em termos de infraestrutura, os sistemas podem demandar investimentos em adequações ou constituírem-se de processos e procedimentos, ou ambos, sendo indispensável o registro de todos os eventos ocorridos em uma contabilidade própria, incluindo-se a destinação de recursos para a operação, manutenção e aprimoramento do SMDA. Além de incrementarem o valor das organizações, certamente estes investimentos serão menores que as despesas derivadas dos passivos ambientais decorrentes de sua ausência.
Estes sistemas são desenvolvidos e implantados pelas gerencias ou setores de meio ambiente, mas também é possível contratarem-se profissionais ou empresas de assessorias. Seguem-se alguns itens em que é importante estabelecer Sistemas de Melhoria do Desempenho Ambiental – SMDA em qualquer atividade econômica de produção, distribuição e consumo de bens e serviços.
Resíduos e efluentes – Destinações e tratamentos ambientais adequados aos diferentes tipos e classificações identificadas nos processos.
Reaproveitamento de recursos – Economizam recursos naturais, geralmente são integrados às unidades produtivas como o reuso da água, geração de bioenergia, reutilização de resíduos, energia solar. São investimentos considerados ativos ambientais.
Reciclagem – Encaminhar para reciclagem adequada os descartes, sucatas, resíduos sem uso próprio, produtos inutilizados, embalagens. Esta também pode ser uma fonte de recursos com a venda dos recicláveis.

Redução de interferências e relações comunitárias
 – Reduz as interferências nas atividades das comunidades e melhora a qualidade de vida das populações adjacentes aos empreendimentos. Sinalização adequada, operação adequada de equipamentos, transporte e cargas, minimização e controle de ruídos, particulados, gases, odores, despejo de efluentes, esclarecimentos e orientações qualificam as relações entre as empresas e as comunidades em que estão inseridas.
Capacitação de pessoas e comunidades – Internamente capacitar os colaboradores para a operação e gestão adequada do SMDA, formar multiplicadores em temas de interesse ambiental, da saúde e segurança do trabalho, implantar programas de educação ambiental internos e externos.
Divulgação e comunicação – Estabelecer um sistema de comunicação social e de interação com as partes interessadas. Neste aspecto é importante prestar atenção à publicidade e relatórios, para que estejam em acordo com a realidade e não permitam dubiedades ou maquiagens (greenwashing) às ações de responsabilidade socioambientais.
Reabilitação ambiental – Geralmente são sistemas implantados por grandes empreendimentos e unidades de infraestrutura que utilizam áreas extensas em seus projetos como estradas, linhas de transmissão, mineradoras, polos industriais, siderúrgicas e outros com impactos significativos. Geralmente estes sistemas já estão previstos nos condicionantes dos licenciamentos ambientais.
Antonio Silvio Hendges, Articulista no EcoDebate, professor de biologia, pós graduado em auditorias ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental e sistemas de melhoria do desempenho ambiental – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/04/2017
"SMDA – Sistema de Melhoria do Desempenho Ambiental, artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 6/04/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/04/06/smda-sistema-de-melhoria-desempenho-ambiental-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.
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sexta-feira, 24 de março de 2017

Agente em Educação Ambiental - Curso online.

Nosso curso presencial também está disponível online com acesso permanente aos conteúdos através do download dos arquivos em PDF para o computador ou celular. Os participantes contarão com nosso suporte nos estudos e pesquisas através do email, Skype e Telegram.

Neste Curso de Agente em Educação Ambiental estão reunidos os conteúdos sobre a educação ambiental no Brasil e no contexto internacional, enfocando os conceitos, aspectos legais e metodológicos, com ênfase na capacitação de pessoas para o desenvolvimento de projetos, programas, atividades e ações socioambientais nas comunidades, empresas, escolas, instituições ou atividades profissionais.

Este é o único curso do Brasil com este enfoque e com um conjunto de conteúdos que capacitam para a elaboração e o desenvolvimento de projetos integrados e contextualizados de educação ambiental.

- Apostila PDF com todos os conteúdos.
- Avaliação pessoal.
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- Conceitos de educação ambiental
- Política Nacional de Educação Ambiental - Lei 9.795/1999
- Educação ambiental formal e não formal
- Educação ambiental e formação/capacitação de recursos humanos
- As preocupações ambientais dos governos, empresas e consumidores
- A educação ambiental nas empresas
- Educação ambiental nas escolas e comunidades escolares
- Educação ambiental e resíduos sólidos
- Passivos ambientais e ativos ambientais
- A educação ambiental nos municípios
- Educação ambiental e saúde pública
- Econegócios e ecoturismo
- Projetos de educação ambiental
- Referências e estudos complementares


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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Biologia sintética, bioengenharia, bioeconomia...

Imagem: Watcher Fórum

Converter a biologia em objeto passível de intervenções da engenharia é atualmente uma prioridade nas agendas de investigação científica. A bioengenharia tem a intenção de fabricar e/ou obter novas possibilidades biológicas, para além das combinações e interações gênicas naturais e abrir espaços para a expansão da bioeconomia.

Portanto, quem interpreta a bioeconomia referida em algumas ocasiões na imprensa, empresas multinacionais ou governos baseia-se na organização ecológica natural ou em sua retomada está totalmente enganado: o modelo será baseado em outras relações ecológicas, sociais, econômicas e políticas, inclusive com o monopólio de muitos serviços e produtos indispensáveis pelas empresas de bioengenharia e outras relacionadas protegidas através de patentes, acordos e lobbies. A combinação da bioengenharia, com a robótica e as nanotecnologias amplia ainda mais este admirável mundo novo.

A biologia sintética propõe a recombinação dos genes individuais para a construção de novas características, incorporando aspectos do design, em redes de regulação gênicas inteligíveis, previsíveis e manipuláveis dos organismos, redesenhando suas funções, ampliando ou estabelecendo seletivamente as interações com o meio ambiente. Amplia as possibilidades da engenharia genética, pois esta recombina os códigos genéticos já existentes, enquanto a biologia sintética propõe a criação de novos códigos, inclusive interativos e controláveis por sistemas computacionais.

Entre as perspectivas e aplicações da biologia sintética, destacam-se alguns objetivos que já possuem estudos avançados e inclusive algumas experiências que já estão acontecendo em diversas áreas. Importante destacar que a biologia sintética faz parte das pesquisas científicas e que suas aplicações e controle dependem de decisões éticas, científicas, econômicas e socioambientais que precisam considerar as oportunidades, mas também os riscos e princípios de precaução associados ao seu desenvolvimento e reprodução.

Biotecnologias – Projeção e construção de sistemas biológicos que processam informações, manipulam produtos químicos, fabricam materiais, produzam alimentos e/ou energia, aplicam-se na saúde ou nos aspectos ambientais escolhidos, padronização de partes biológicas, recombinação de componentes biomoleculares, novas funções tecnológicas em células vivas.

Reescrita – Os reescritores são biólogos sintéticos que acreditam que devido à complexidade dos sistemas biológicos naturais, é mais simples montar um sistema biológico de interesse específico, com produtos de manipulação e compreensão mais fáceis.

Vida artificial – Criação de moléculas ou mesmo de espécies inéditas capazes de realizarem novas funções, na indústria e na medicina, por exemplo. Os genomas sintéticos introduzidos em células geneticamente esvaziadas permitem a reprodução da célula artificial. Esta experiência foi realizada pelo J. Craig Venter Institute e descrita na revista Science de maio de 2010.

Transformação celular – São construídos componentes sintéticos de DNA ou mesmo genomas completos e uma vez obtido o código genético projetado, este é inserido em células vivas que se espera, manifestem as funcionalidades pretendidas ou os fenótipos programados ao crescerem e se reproduzirem. A transformação celular permite criar circuitos biológicos manipuláveis para produzirem as saídas desejadas.

Informações – É possível armazenar enormes quantidades de informações codificadas em uma cadeia de DNA sintético. Em 2012 o cientista George M. Church codificou um dos seus livros com 5,3 Mb de dados em DNA sintético.

Evolução direcionada – Introdução de combinações de genes previamente programados, controlando a evolução de organismos de acordo com interesses pré-estabelecidos, como por exemplo, a produção de fermentos utilizados em algumas indústrias e medicamentos e/ou tratamentos com base em modificações evolutivas em organismos vivos. É mais ampla que a engenharia metabólica tradicional por utilizar combinações genéticas não existentes. Também há pesquisas que permitam acelerar, retardar ou parar a evolução de células ou organismos.

Projeção de proteínas – Existem métodos para a engenharia de proteínas naturais por evolução dirigida, por exemplo, mas no caso da biologia sintética trata-se de projetar novas estruturas, inclusive aminoácidos inexistentes na natureza para melhoria ou novas funcionalidades das proteínas conhecidas ou projetadas para interesses específicos.

Biossensores – Biossensores são organismos, geralmente bactérias sensíveis aos fenômenos e alterações ambientais, por exemplo, a presença de metais pesados, óleos e toxinas químicas no ambiente. Experiências já realizadas no Oak Ridge National Laboratory codificam enzimas responsáveis pela bioluminescência e a associam a um promotor respondente para expressar estes genes, por exemplo, chips de computadores com revestimento bacteriano bioluminescentes e fotossensíveis utilizados para detectar poluentes petrolíferos. Quando o revestimento bacteriano detecta os poluentes, emitem luminescência.

Exploração espacial – A biologia sintética desperta grande expectativa nas pesquisas de exploração, ocupação e migração espacial, sendo possível a produção de recursos aos astronautas a partir de um conjunto restrito de compostos enviados da terra e a implantação de processos de produção com base em recursos locais, viabilizando o desenvolvimento de postos habitados com dependência mínima ou nenhuma da terra de origem.

Enzimas industriais – As enzimas, geralmente proteínas, catalisam reações biológicas que necessitam de muita energia e tempo para acontecerem espontaneamente. A biologia sintética pretende sintetizar enzimas de alto desempenho e aumentar os níveis de produção metabólicas celulares importantes industrialmente na produção desde lácteos sem lactose a detergentes orgânicos, por exemplo. As intervenções na engenharia metabólica pela biologia sintética têm amplas aplicações na indústria farmacêutica e bioquímica.

Materiais biológicos artificiais – A integração da biologia sintética com as ciências dos materiais possibilitará a produção de materiais com propriedades codificáveis geneticamente. A utilização na indústria robótica permite construir, configurar e programar em série estes dispositivos para executarem tarefas atualmente impossíveis com as tecnologias utilizadas. Muitas outras aplicações são possíveis como adesão a substratos específicos, imobilização de proteínas e a elaboração de modelos de nano partículas biológicas.

Como se pode perceber pelas amplas aplicações possíveis para a biologia sintética, não é possível ignorar as pesquisas que são desenvolvidas, mas também não se permite perder o foco em relação às questões éticas, sociais, ambientais e de biossegurança que estão adjacentes às suas possibilidades.

Como serão reguladas as empresas de síntese de DNA, enzimas, proteínas e outros produtos associados com a biologia sintética? Como serão controladas as pesquisas e quais regras de biosseguranças serão aplicadas? Quem e como terá acesso aos produtos desenvolvidos? As empresas poderão patentear organismos e utilizar estas patentes como uma reserva de mercado?

As pesquisas serão segredos comerciais? Ou serão públicas e controladas por conselhos científicos ou outros mecanismos? E as interações da biologia sintética com as nanotecnologias, robótica e ciências dos materiais? Quais os limites éticos da aplicação da biologia sintética? Poderão ser desenvolvidas armas, por exemplo? E a bioengenharia de embriões humanos, será permitida? O que acontecerá com os resíduos biológicos sintéticos das pesquisas bem ou mal sucedidas? Quem serão os beneficiários dos ativos da nova bioeconomia com base na biologia sintética? E os responsáveis pelos passivos ambientais, sociais e econômicos?

Referências:
- HOFFMANN, Daniel Sander. Universos Complementares, Astrobiologia, Ficção Científica e o crescimento exponencial da Tecnologia. Porto Alegre: Letra & Vida, 2011.
- MAISO, Jordi. Desafios éticos, filosóficos e políticos da biologia sintética. Caderno IHU Ideias nº 201, São Leopoldo: Instituto Humanitas Unisinos, 2014.
- Wikipédia – Biologia sintética. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Biologia_sint%C3%A9tica. Acesso em 01 fev. 2017.

Antonio Silvio Hendges, Articulista no EcoDebate, professor de Biologia e Educação Ambiental, assessoria e consultoria em Educação ambiental – http://cenatecbrasil.blogspot.com.br/

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/02/2017
"Biologia sintética, bioengenharia, bioeconomia… artigo de Antonio Silvio Hendges," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/02/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/02/23/biologia-sintetica-bioengenharia-bioeconomia-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.
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