Nosso objetivo é contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento que considere as dimensões humanas, ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas. A sustentabilidade é resultado de ações concretas e eficientes, desenvolvidas através de parcerias amplas e que considerem as dimensões e os interesses comuns de todas as partes interessadas, possibilitando a construção de ações orgânicas, sinérgicas e eficazes, indispensáveis ao presente e futuro sustentável.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Orientações para os procedimentos de manuseio, armazenamento e transporte de produtos e embalagens na logística reversa

O Ministério do Meio Ambiente – MMA publicou no Diário Oficial de 08 de setembro de 2014, página 52, as Portarias nº 326/2014 que abre a consulta pública para a elaboração do acordo setorial para a implantação de sistemas de logística reversa de embalagens em geral. Este acordo setorial está previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS e faz parte da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos entre os fabricantes ou importadores, distribuidores, comerciantes, serviços públicos de limpeza urbana e consumidores (Lei 12.305/2010, artigos 33-36). A PNRS prevê acordos setoriais às embalagens de papel e papelão, plástico, aço, alumínio, vidros e embalagens cartonadas longa vida.
No dia 02 de 0utubro, o Comitê Orientador para Implantação de Sistemas de Logística Reversa – CORI aprovou a Deliberação nº 10/2014 que “estabelece as medidas para a simplificação dos procedimentos de manuseio, armazenamento seguro e transporte primário de produtos e embalagens descartados em locais de entrega integrantes de sistemas de logística reversa” estabelecidos nos acordos setoriais entre os fabricantes, importadores, distribuidores, revendedores, poderes públicos e consumidores.
Quanto às estruturas de recepção e transporte:
I – Locais de entrega: espaços com recipientes onde os consumidores possam efetuar a devolução de produtos e embalagens integrantes de sistemas de logística reversa;
II – Transporte primário: transporte de produtos e embalagens descartadas dos locais de entrega até centros de triagem, locais de armazenamento temporário ou diretamente para destinação final ambientalmente adequada.
Quanto aos critérios e procedimentos nos locais de entrega:
I – Instalado em local seco, coberto, cercado, sinalizado, com piso impermeável;
II – possuir sistemas de contenção contra derramamentos e sistemas de ventilação apropriados, quando necessários;
III – os produtos e embalagens somente podem ser retirados por responsável por tal fim;
IV – os recipientes disponíveis para a coleta dos produtos e embalagens descartadas devem garantir que não haja movimentação, quebra ou desmonte destes durante o descarte e o transporte primário e impedir o contato direto com o ambiente externo;
V – Os recipientes devem ser sinalizados, identificados e conterem instruções claras para o uso.
Os produtos e embalagens descartados nos locais de entrega devem ser transportados em veículos com carrocerias fechadas, nos mesmos recipientes em que foram descartados, permanecendo fechados, transportados de maneira segura e de acordo com a legislação e normas específicas aplicáveis – Exemplos: NBR 10004:2004 – Classificação dos resíduos, NBR 10005:2004 – Procedimentos, Resolução 420/2004 da Agencia Nacional dos Transportes Terrestres – ANTT e outras.
A Deliberação nº 10 do CORI não se aplica:
I – Às operações de coleta e transporte primário que provoquem alterações das características físicas e químicas dos produtos e embalagens descartadas, em comparação aos mesmos produtos ou embalagens quando em uso pelos consumidores;
II – quando o transporte primário for realizado concomitantemente com produtos destinados ao uso e/ou consumo humano ou animal, ou com embalagens destinadas para tais fins;
III – aos locais de entrega onde ocorra qualquer tipo de triagem ou separação dos produtos e embalagens descartadas.
Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, professor de biologia, pós graduação em auditorias ambientais, assessoria em educação ambiental e sustentabilidade –www.cenatecbrasil.blogspot.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 13/10/2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Principais instrumentos legais da gestão ambiental no Brasil

A legislação brasileira relacionada ao meio ambiente e à gestão ambiental é abrangente, atualizada em relação aos acordos internacionais do país e completa quanto aos aspectos ambientais considerados. Sua aplicação pode contribuir para o desenvolvimento sustentável nacional e/ou regional, a qualidade de vida da população e a preservação dos espaços e recursos naturais estratégicos.
No entanto, existem diversas dificuldades para a implementação completa das leis ambientais nas diferentes esferas de poder, principalmente por questões políticas e pressões de setores econômicos que lucram com a degradação ambiental e o mau gerenciamento de suas atividades, desconsiderando o princípio constitucional de que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” Constituição Federal, artigo 225).
A insuficiência de recursos humanos em muitos órgãos ambientais gestores e fiscalizadores também contribuem para o não cumprimento adequado das leis de proteção ambiental. Neste artigo, são citados e descritos brevemente os principais instrumentos legais relacionados diretamente com a gestão ambiental no Brasil. Este trabalho é uma atualização de uma publicação de janeiro de 2011 que está desatualizada e com informações incorretas devido à aprovação de novas leis, a revogação de leis anteriores e regulamentações ocorridas neste período. Também está incluída a legislação básica relacionada com a educação ambiental: em grande parte dos projetos de gestão é indispensável o desenvolvimento de programas e projetos educativos.
– Lei 6.938/1981 – Política Nacional de Meio Ambiente: regulamenta o artigo 23, incisos VI e VII da Constituição Federal de 1988, dispõe sobre os fins e mecanismos necessários à melhoria e recuperação da qualidade de vida, os objetivos, instrumentos e diretrizes das políticas ambientais no Brasil, estabelece o Conselho Nacional de Meio Ambiente e o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. Em 2010, a Lei 6.938/1981 teve algumas alterações com o acréscimo e veto de alguns artigos, principalmente em relação às florestas.
– Lei 7.797/1989 – Cria o Fundo Nacional de Meio Ambiente com o objetivo de desenvolver projetos que incentivem o uso racional e sustentável dos recursos naturais, a manutenção, recuperação e melhoria da qualidade ambiental e da vida da população.
– Decreto 99.274/1990 – Regulamenta a Política Nacional de Meio Ambiente – lei 6.938/1981 e dispõe sobre a criação de Estações ecológicas e Áreas de Proteção ambiental previstas na Lei 6.902/1981.
– Lei 9.433/1997 – Política Nacional de Recursos Hídricos: regulamenta o artigo 21, inciso XIX da Constituição Federal. Estabelece o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos hídricos, composto pelos Conselhos Nacional e Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, os comitês de bacias hidrográficas e as agências de águas, responsáveis pelo planejamento, regulação, controle, preservação e recuperação das águas. Esta lei estabelece que a água é um bem de domínio público, uso múltiplo e gestão descentralizada com participação dos usuários.
– Decreto 4.613/2003 – Regulamenta o Conselho Nacional dos Recursos Hídricos, suas competências e composição.
– Lei 9.605/1998 – Lei dos Crimes Ambientais: estabelece as sanções penais e administrativas relacionadas com ações e atividades lesivas ao meio ambiente, responsabilizando os infratores nas esferas civil e penal e possibilitando a recuperação dos danos causados.
– Decreto 6.514/2008 – Revogou o Decreto 3.179/1999 - Regulamenta a Lei dos Crimes Ambientais – Lei 9.605/1998 e especifica as sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.
– Lei 9.795/1999 – Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA: inclui a educação ambiental inter, multi e transdisciplinar no ensino formal em todos os níveis e modalidades, a ser desenvolvida nos currículos das instituições públicas e privadas e não formal como práticas educativas desenvolvidas pelas organizações da sociedade civil, empresas, sindicatos, organizações não governamentais, meios de comunicação e cidadãos para a sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais, sua organização e defesa do meio ambiente.
– Decreto 4.281/2002 – Regulamenta a Política Nacional de Educação Ambiental – Lei 9.795/1999, sua execução e gestão. Estabelece o Órgão Gestor e suas competências, cria o Comitê Assessor deste formado por órgãos governamentais, conselhos federais, entidades representativas como a OAB e ABI, dirigentes estaduais e municipais da educação, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e organizações da sociedade civil.
– Lei 9.666/2000 – Sobre a prevenção, controle e fiscalização dos lançamentos de óleos e substâncias perigosas ou nocivas nas águas nacionais. A resolução Conama nº 306/2002 estabelece os requisitos para as auditorias ambientais de avaliação dos sistemas de gestão e controle ambiental nos portos, plataformas e refinarias com objetivos de cumprimento da legislação e dos licenciamentos ambientais pelas indústrias petrolíferas, gás natural e derivados.
– Lei 9.985/2000 – Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza: regulamenta o artigo 225, incisos I, II, III e VII da Constituição. Estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das Unidades de Conservação.
– Lei 11.445/2007 – Política Nacional de Saneamento Básico – PNSB: diretrizes nacionais para o saneamento básico englobando o abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo das águas pluviais, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. Estabelece os princípios fundamentais para a prestação de serviços públicos de saneamento, sua titularidade, planejamento e regulação.
– Decreto 7.217/2010 – Regulamenta a Política Nacional de Saneamento Básico – Lei 11.445/2007 e estabelece o Sistema Nacional de Informações em Saneamento – SINISA.
– Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS: estabelece o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes e metas adotadas para a gestão integrada e o gerenciamento ambientalmente correto dos resíduos sólidos. Institui a logística reversa de embalagens e produtos usados ou obsoletos, a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, a cooperação entre os órgãos públicos e as empresas e o incentivo à formação de cooperativas de trabalhadores em reciclagem.
– Decreto 7.404/2010 – Regulamenta a Politica Nacional de Resíduos Sólidos – lei 12.305/2010, cria o Comitê Interministerial para apoiar a estruturação e implantação da PNRS através da articulação dos órgãos e entidades governamentais, define as responsabilidades dos geradores e poderes públicos, a elaboração dos planos de resíduos, a coleta seletiva, a logística reversa e a participação dos trabalhadores com materiais recicláveis/reutilizáveis (catadores) na gestão dos resíduos sólidos.
– Lei 12.651/2012 – Código Florestal ou Código Ambiental: dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, as áreas de preservação permanentes – APP, as reservas legais, as áreas consolidadas, a exploração florestal e outras providências relacionadas à proteção e recuperação de áreas protegidas. Revoga a lei 4.771/1965 – antigo código florestal e outras leis relacionadas, altera algumas diretrizes da Lei 6.938/1981 – Política Nacional de Meio Ambiente.
– Decreto 7.830/2012 – Regulamenta o Código Florestal – Lei 12.651/2012: dispõe sobre o Sistema de Cadastro Ambiental Rural – CAR, estabelece normas de caráter geral aos Programas de Regularização Ambiental – PRA.
– Instrução Normativa 02/2014 do Ministério do Meio Ambiente: estabelece os procedimentos para a integração, execução e compatibilização do Sistema de Cadastro Ambiental Rural – SICAR e define os procedimentos gerais para a execução do Cadastro Ambiental Rural – CAR.
Antonio Silvio Hendges, Articulista do Portal EcoDebate, é Professor de Biologia e Agente Educacional no RS. Email: as.hendges@gmail.com
Publicado no Portal EcoDebate, 01/10/2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Acordos setoriais para logística reversa - embalagens e lâmpadas

lâmpadas
O Ministério do Meio Ambiente – MMA publicou no Diário Oficial de 08 de setembro de 2014, página 52, as Portarias nº 326 e 327 que abrem as consultas públicas para a elaboração dos acordos setoriais para a implantação de sistemas de logística reversa de embalagens em geral – Portaria 326/2014 e para lâmpadas fluorescentes e de vapor de sódio e mercúrio – Portaria 327/2014. Estes acordos setoriais estão previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS e fazem parte da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos entre os fabricantes ou importadores, distribuidores, comerciantes, serviços públicos de limpeza urbana e consumidores (Lei 12.305/2010, artigos 33-36).

A PNRS prevê que estão sujeitos aos acordos setoriais as embalagens de papel e papelão, plástico, aço, alumínio, vidros e embalagens cartonadas longa vida. No caso das lâmpadas, todas as que contenham mercúrio, sódio ou mistas devem ter destino final ambientalmente adequado. A elaboração e procedimentos destes acordos setoriais já tinham sido definidos pelo Comitê Orientador Para a Implantação de Sistemas de Logística Reversa (Decreto 7.404/2010, artigos 33 e 34), na Deliberação nº 01 de 21 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União em 23/05/2012.
As sugestões e colaborações devem ser fundamentadas, identificadas e encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente através de formulários eletrônicos disponíveis no endereçohttp://www.governoeletronico.gov.br no período de 00 hora de 15/09/2014 às 23 horas e 59 minutos de 15/10/2014.
As portarias 326 e 327 são acessadas na íntegra no endereço:http://pautasressem.blogspot.com.br/2014/09/portaria-mma-que-abrem-consultas-sobre.html

Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria em sustentabilidade e educação ambiental –www.centaecbrasil.blogspot.com.br