Objetivos - Contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento que considere as dimensões humanas, ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas. A sustentabilidade é resultado de atitudes coletivas que considerem as dimensões e interesses de todas as partes interessadas, possibilitando a construção de ações orgânicas, sinérgicas e eficazes, indispensáveis ao presente e futuro sustentáveis.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Educação Ambiental nas empresas.

 A educação ambiental é definida como “os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” – Lei 9.795/1999, artigo 1º.

Os objetivos são desenvolver a compreensão integrada do meio ambiente em suas relações ecológicas, psicológicas, legais, políticas, sociais, econômicas, científicas e culturais; incentivar à participação individual e coletiva, responsável e permanente e a qualidade do meio ambiente como valor inseparável da cidadania; estimular a cooperação e a busca de uma sociedade fundada nos princípios da liberdade, solidariedade, democracia e justiça social; integrar a ciência e tecnologia; fortalecer a cidadania, autodeterminação e solidariedade como fundamentais ao futuro com desenvolvimento sustentável.

As atividades empresariais devem incorporar as dimensões ambientais e promover a responsabilidade socioambiental para a conservação, recuperação e manutenção das condições ambientais adequadas, inclusive dos recursos indispensáveis ao desenvolvimento econômico sustentável.

Uma das formas das empresas realizarem esta ação é através da adoção de programas e projetos de educação ambiental internos para os colaboradores diretos e externos para os públicos alvos dos seus produtos e/ou serviços, ou ainda de forma mais ampla, para as comunidades onde atuam. Este pode ser um diferencial importante na escolha dos consumidores e tornar-se uma vantagem competitiva significativa ao melhorar a comunicação interna e externa, a economia de recursos e as relações comunitárias.

Os programas de educação ambiental podem ser parte de projetos mais abrangentes como a gestão ambiental da empresa, auxiliando na capacitação dos colaboradores diretos e minimizando as possibilidades de conflitos externos com os consumidores e outras partes interessadas, inclusive com os órgãos ambientais e fiscalizadores, estabelecendo um canal qualificado de comunicação que pode ser avaliado periodicamente e realizarem-se as adequações necessárias.

A educação ambiental pode fazer parte da estratégia de marketing da empresa, agregando valor aos produtos e serviços. Também podem ser destacados aspectos específicos da política de meio ambiente das empresas, como por exemplo, o tratamento adequado para os resíduos da produção e pós consumo, sistemas de logística reversa e a economia de recursos naturais.

De acordo com a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 15, os investimentos e gastos nos programas de educação ambiental para empregados, terceirizados, autônomos, administradores da entidade e comunidades podem ser evidenciados na contabilidade ambiental das empresas e constarem em seus Relatórios de Responsabilidade Social e Ambiental, possibilitando a divulgação às partes interessadas – clientes, consumidores, fornecedores, distribuidores, órgãos ambientais, imprensa e outros.

A educação ambiental quando relacionada com a capacitação dos colaboradores, funcionários e recursos humanos é benéfica para a o conjunto dos empreendimentos. Este processo pode ser realizado através da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), de cursos, palestras, oficinas, da contratação de consultorias especializadas que gerenciam pedagogicamente estes processos educativos. No entanto, as pessoas responsáveis da organização precisam de alinhamento com estes princípios da responsabilidade ambiental e social, de comprometimento com o meio ambiente e com a sociedade, principalmente com os impactos das suas atividades e decisões econômicas.

Portanto, a educação ambiental é um instrumento eficiente e prático para divulgar as ações e os princípios do desenvolvimento sustentável empresarial, contribuindo decisivamente para a formação de uma imagem positiva das empresas, seus produtos e serviços.


Exemplos de ações de educação ambiental para o consumo racional da água nas empresas, indústrias e outros empreendimentos econômicos.

Campanhas de Conscientização:

Envolver todos os funcionários — além de fornecedores e clientes — em uma grande campanha de conscientização é um passo importante para agregar os empreendimentos econômicos por completo na causa da economia da água. Ainda que algumas medidas sejam básicas, é importante começar a efetivamente poupar este recurso no dia a dia. Reuniões específicas com as equipes para tratar desta pauta, a criação e distribuição de cartilhas ou informativos sobre o tema, a instituição de metas de economia, são boas formas de engajar e esclarecer os colaboradores.


Revisão periódica dos vazamentos:

Vazamentos não identificados nas empresas e indústrias podem ser fontes de imenso desperdício, além de grandes prejuízos na conta do fim do mês. Uma única torneira pingando gasta uma média de 45 litros de água por dia, o que representa 16 mil litros desperdiçados por ano.

Os números são impressionantes, mas as medidas para evitar o problema são simples: conferir o hidrômetro com frequência, contratar uma empresa para a identificação de vazamentos e orientar os funcionários para avisarem sobre torneiras danificadas e manchas de infiltração são estratégias básicas e eficientes.

Aproveitamento da água da chuva:

Os benefícios são muitos e o investimento baixo. Após a instalação de um sistema de captação, a água pluvial pode ser utilizada para os mesmos fins da água de reuso convencional, poupando recursos e diminuindo as contas mensais. As águas das chuvas não devem ser drenadas para a rede de esgoto.


Reformas e adequações nos instalações sanitárias

A substituição de torneiras e descargas sanitárias antigas por modelos mais eficientes representa um investimento compensador, principalmente em empresas de médio e grande porte. O impacto da economia de água pode ser altíssimo, considerando o número de funcionários que utilizam as instalações sanitárias diariamente. A opção por torneiras que funcionam em um sistema de pressão e descargas que possibilitam duplo acionamento são excelentes estratégias de economia. As torneiras de pressão economizam aproximadamente 20% quando comparadas aos modelos convencionais.


Projetos de reuso da água:

Ao optar pelo reuso da água, a empresa promove o reaproveitamento do recurso para outras atividades que não exigem água nobre, gerando economia, reduzindo drasticamente o consumo e ainda contribuindo para a prevenção da escassez. Ao instituir o tratamento dos efluentes produzidos, é possível direcionar a água resultante para tarefas cotidianas de uso geral, irrigação de jardins, limpeza de áreas e de maquinários. A economia, em termos econômicos e ambientais supera o investimento em pouco tempo.


Vantagens da Educação Ambiental nas empresas:

– Colaboradores e funcionários comprometidos com os objetivos da empresa;


– Boa imagem com os clientes, fornecedores e sociedade em geral;


– Marketing positivo das marcas, produtos e serviços da empresa;


– Vantagens competitivas em relação aos concorrentes;


– Aumento dos lucros e ativos da empresa como consequência do melhor posicionamento da marca, produtos e serviços no mercado;


– Redução das chances de acidentes ambientais e de problemas com a imagem da empresa;
– Melhor relacionamento com as comunidades adjacentes, desenvolvendo parcerias na preservação ambiental local;


– Maior controle dos aspectos ambientais da empresa, evitando-se multas e penalizações legais;
– Comprometimento com ações que preservam o meio ambiente e garantem um presente e futuro saudável, inclusive para as ações empresariais;


– Diminuição e controle dos passivos e destaque dos ativos ambientais, agregando valor aos aspectos ambientais das atividades empresariais.


Antonio Silvio Hendges, Articulista no EcoDebate, Professor de Biologia, Pós Graduação em Auditorias Ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, 26/08/2016
"A Educação Ambiental nas empresas, artigo de Antonio Silvio Hendges," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/08/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/08/26/a-educacao-ambiental-nas-empresas-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

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sábado, 20 de agosto de 2016

Conceitos de Educação Ambiental.

Desde os anos 70 do século passado quando as preocupações com o meio ambiente ganharam destaque nas agendas dos governos e empresas, diversas conferências e congressos internacionais, tratados, documentos legais e publicações estabeleceram conceitos sobre a educação ambiental, sempre na perspectiva da formação da cidadania e da capacitação de recursos humanos para a intervenção transformadora das relações da sociedade com o meio ambiente socialmente construído. Seguem-se alguns destes conceitos.

“Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.
Política Nacional de Educação Ambiental – Lei nº 9795/1999, Artigo 1º.


“A Educação Ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental”.
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, Artigo 2°.

“A educação ambiental é a ação educativa permanente pela qual a comunidade educativa tem a tomada de consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados de ditas relações e suas causas profundas. Ela desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido a transformação superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, desenvolvendo no educando as habilidades e atitudes necessárias para dita transformação”. Conferência Sub-regional de Educação Ambiental para a Educação Secundária – Chosica, Peru em 1976.

“A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A educação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida”.
Conferência Intergovernamental de Tbilisi, Geórgia em 1977.

“Consideramos que a educação ambiental para uma sustentabilidade equitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relações de interdependência e diversidade. Isto requer responsabilidade individual e coletiva em níveis local, nacional e planetário”.
Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. Documento da sociedade civil durante a RIO-92.


“A Educação Ambiental nasce como um processo educativo que conduz a um saber ambiental materializado nos valores éticos e nas regras políticas de convívio social e de mercado, que implica a questão distributiva entre benefícios e prejuízos da apropriação e do uso da natureza. Ela deve, portanto, ser direcionada para a cidadania ativa considerando seu sentido de pertencimento e co-responsabilidade que, por meio da ação coletiva e organizada, busca a compreensão e a superação das causas estruturais e conjunturais dos problemas ambientais.”
SORRENTINO et al, Educação ambiental como política pública, 2005.


“A Educação Ambiental, apoiada em uma teoria crítica que exponha com vigor as contradições que estão na raiz do modo de produção capitalista, deve incentivar a participação social na forma de uma ação política. Como tal, ela deve ser aberta ao diálogo e ao embate, visando à explicitação das contradições teórico-práticas subjacentes a projetos societários que estão permanentemente em disputa.”
TREIN, E. Salto para o Futuro, 2008.


“A Educação Ambiental deve proporcionar as condições para o desenvolvimento das capacidades necessárias; para que grupos sociais, em diferentes contextos socioambientais do país, intervenham, de modo qualificado tanto na gestão do uso dos recursos ambientais quanto na concepção e aplicação de decisões que afetam a qualidade do ambiente, seja físico-natural ou construído, ou seja, educação ambiental como instrumento de participação e controle social na gestão ambiental pública”.
QUINTAS, J. S., Salto para o Futuro, 2008.


“Um processo educativo eminentemente político, que visa ao desenvolvimento nos educandos de uma consciência crítica acerca das instituições, atores e fatores sociais geradores de riscos e respectivos conflitos socioambientais. Busca uma estratégia pedagógica do enfrentamento de tais conflitos a partir de meios coletivos de exercício da cidadania, pautados na criação de demandas por políticas públicas participativas conforme requer a gestão ambiental democrática.”
LAYRARGUES; P.P. Crise ambiental e suas implicações na educação, 2002.


“Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política.”
MOUSINHO, P. Glossário. In: Trigueiro, A. (Coord.) Meio ambiente no século 21.Rio de Janeiro: Sextante. 2003.


“Educação ambiental é uma perspectiva que se inscreve e se dinamiza na própria educação, formada nas relações estabelecidas entre as múltiplas tendências pedagógicas e do ambientalismo, que têm no “ambiente” e na “natureza” categorias centrais e identitárias. Neste posicionamento, a adjetivação “ambiental” se justifica tão somente à medida que serve para destacar dimensões “esquecidas” historicamente pelo fazer educativo, no que se refere ao entendimento da vida e da natureza, e para revelar ou denunciar as dicotomias da modernidade capitalista e do paradigma analítico-linear, não dialético, que separa: atividade econômica, ou outra, da totalidade social; sociedade e natureza; mente e corpo; matéria e espírito, razão e emoção etc.”
LOUREIRO, C. F. B. Educação Ambiental Transformadora. In: Layrargues, P. P. (Coord.)  Identidades da Educação Ambiental Brasileira. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004.


Fonte das informações:
http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/politica-de-educacao-ambiental
http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/tratado.pdf 


Antonio Silvio Hendges, Articulista no EcoDebate, Professor de Biologia, Pós Graduação em Auditorias Ambientais, assessoria e consultoria em Educação Ambiental – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, 18/08/2016
"Conceitos de Educação Ambiental, artigo de Antonio Silvio Hendges," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/08/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/08/18/conceitos-de-educacao-ambiental-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Educação Ambiental e Saúde Pública.

Educação ambiental – EA são os processos através dos quais os indivíduos e a sociedade constroem valores, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas à conservação do meio ambiente como um espaço coletivo, essencial à qualidade de vida presente e futura dos meios físicos e sociais. A educação pressupõe a atuação nos processos socializadores dos indivíduos e grupos. Se estes processos estão relacionados com fatores e aspectos socioambientais, são indispensáveis abordagens pedagógicas com base nos conceitos e práticas da EA. Entre as dimensões da EA, estão suas contribuições para a promoção da saúde pública, desde a prevenção de doenças, endemias e epidemias até as ações diretas de intervenção em ambientes ou comunidades de risco quanto a diversos aspectos ambientais.


Esta área de ação conjunta entre a educação ambiental e a saúde pública está relacionada ao vínculo social entre estes dois campos em que ambos estão para a sociedade como direitos coletivos, ao mesmo tempo em que os impactos e transformações ambientais configuram-se como problemas que se agravam nas agendas das gestões públicas em diferentes esferas administrativas. A Agenda 21, documento resultante da Conferência da ONU Rio-92 estabelece uma relação direta entre a qualidade ambiental, os processos educativos e a promoção da saúde pública.

O Sistema Único de Saúde – SUS e os diversos programas de atendimento como o Programa Saúde da Família, Programa de Assistência à Saúde da Criança, formação de Agentes Comunitários de Saúde, também incorpora em suas ações a dimensão ambiental, tornando o sistema de assistência à saúde um instrumento essencial para a promoção das questões relacionadas ao meio ambiente e a educação como promotoras da prevenção e mesmo das soluções necessárias.

As ações educativas de prevenção primária, em períodos pré patogênicos, sejam de doenças específicas ou de condições gerais de higiene e cuidados com o ambiente são fundamentais para estabelecer conexões nas ações individuais, comunitárias e dos serviços públicos de atenção primária. Na mobilização das comunidades, nos planejamentos, nos diagnósticos socioambientais e de prováveis endemias e/ou epidemias, nas análises e avaliações, a EA é uma ferramenta estratégica com amplas possibilidades de usos e metodologias na promoção da saúde pública e de melhorias em outros aspectos sociais e ambientais, inclusive utilizando-se de conhecimentos e práticas locais para a sua realização.

Na realização dos diagnósticos socioambientais, é indispensável que se destaquem as questões ambientais, sejam às famílias individualmente ou das comunidades. Aspectos como a origem e qualidade da água, disposição e destino dos resíduos, coleta e tratamento dos esgotos, espaços verdes e de lazer, economia e consumo familiar e relações socioculturais são fundamentais à construção e intervenção eficaz dos projetos e ações de atenção primária à saúde. Na mobilização individual ou comunitária também utilizam-se metodologias pedagógicas com base na EA, aproveitando-se, por exemplo, de datas comemorativas e/ou eventos locais para a divulgação de informações de interesse coletivo.

Na aquisição de hábitos saudáveis e preventivos em relação ao fumo, álcool ou outras substâncias, a EA também é uma ferramenta eficaz, facilitando a identificação, os contatos com os indivíduos ou famílias e o encaminhamento adequado aos tratamentos e/ou ações necessárias individualmente e às comunidades, evitando-se conflitos e atitudes que possam resultar em problemas socioambientais complexos ou mesmo em violência. Indispensável uma abordagem que considere o meio ambiente socialmente construído para o enfrentamento destas questões. Em educação ambiental, não se deve ter um enfoque moralista, policial ou de exclusão, mas a busca de soluções integradas que respeitem a dignidade e os direitos humanos dos envolvidos.

Na prevenção de doenças transmitidas por vetores como mosquitos, ratos e animais abandonados, a educação ambiental é indispensável à responsabilidade e consciência coletiva, acondicionando-se e dispondo-se adequadamente os resíduos para coleta, evitando-se o descarte de objetos como pneus e outros que acumulam água em terrenos baldios ou locais inapropriados e inclusive exigindo dos poderes públicos ações preventivas e saneadoras dos problemas identificados.

São muitas as atividades que relacionam a saúde pública e a educação ambiental, sendo grande parte dos agravos à saúde diretamente relacionados com fatores ambientais, considerando-se que as alterações e condições ambientais interferem diretamente na saúde e na qualidade de vida dos indivíduos e comunidades, tornando o meio ambiente e as condições de saúde indissociáveis.

Algumas ações de educação ambiental diretamente relacionadas à saúde pública e qualidade de vida:

Mobilização comunitária para a resolução de problemas específicos às comunidades;

Reuniões de lideranças para análise e busca de soluções dos problemas socioambientais;

Atividades locais de comércio de produtos e serviços feitos nas comunidades, como artesanato, alimentos, roupas e outros, valorizando os conhecimentos e práticas locais;

Desenvolvimento de atividades culturais e artísticas que valorizem e resgatem conhecimentos e práticas locais, como música, teatro, dança, jogos e outras manifestações integradas às representações sociais* coletivas;

Prevenção de doenças transmissíveis por vetores como a dengue, leptospirose, raiva e outras zoonoses, possibilitando a organização de ações que tenham como base o equilíbrio e a qualidade do meio ambiente;

Exigência de políticas públicas direcionadas aos aspectos socioambientais, segurança educação, transporte, saúde, inclusão digital, melhorando as condições de acesso das comunidades aos recursos disponíveis à qualidade de vida;

Capacitação de agentes comunitários e de educação ambiental que estimulem e orientem para a formação local de redes de ação e de comunicação que facilitem intra e inter comunidades a busca de soluções conjuntas aos problemas ambientais identificados;

Produção de conteúdos e de materiais educativos, como panfletos, jornais, programas de rádios, entrevistas, palestras, oficinas e cursos que estimulem práticas saudáveis e a colaboração comunitária.

Prevenção de endemias e epidemias transmitidas por vetores como insetos, ratos, animais abandonados, etc.

* Representações sociais são ideias, conceitos atitudes coletivas elaboradas de acordo com os valores sociais, econômicos, políticos, culturais, tecnológicos, religiosos dos grupos humanos e se constituem pelas maneiras de pensar, agir, sentir, fazer e consumir socialmente estabelecidas. Uma vez formadas, estas representações possuem a capacidade de agregar indivíduos e possibilitar a convivência social. Podem também gerar conflitos entre grupos (ou indivíduos) quando estes possuem diferentes representações sociais sobre determinado tema ou costume.

Referências:

GOMIDE, Márcia; SERRÃO, Mônica Armond. A Educação Ambiental e a Promoção da Saúde. Disponível em: http://nesc.ufrj.br/cadernos/images/csc/2004_1/artigos/cad20041_gomide.pdf . Acesso em: 09 ago.2016.

PEREIRA, Carlos Alexandre Rodrigues; MELO, Juliana Valério de; FERNANDES, André luís Teixeira. A educação ambiental como estratégia da Atenção Primária à Saúde. Disponível em: https://www.rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/293/477 . Acesso em: 09 ago. 2016.

VIEIRA, Ana Carolina Pires; Oliveira, Silmara Sartoreto. Educação Ambiental e Saúde Pública: uma análise crítica da literatura. Disponível em: https://www.seer.furg.br/ambeduc/article/view/1025 . Acesso em: 09 Ago. 2016.

Antonio Silvio Hendges, Articulista no EcoDebate, professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria e consultoria em educação ambiental – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

in EcoDebate, 15/08/2016


"Educação Ambiental e Saúde Pública, artigo de Antonio Silvio Hendges," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/08/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/08/15/educacao-ambiental-e-saude-publica-artigo-de-antonio-silvio-hendges/.

O conteúdo da revista EcoDebate e do blog do Cenatecpode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação.